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Assunto: Alimentação
Título: Suplementação alimentar em atividade
Autor: Ana Helena Chagas Ramos,Luiz Makoto Ishibe

Além da base alimentar convencional, existem produtos consumidos pelos atletas durante a atividade física de longa duração. Muitos dos produtos têm eficiência duvidosa, pelo menos do ponto de vista científico. No entanto, no esporte, o que importa é como você se sente e não como você está. Então, se o produto te faz sentir bem e forte, de alguma forma ele está te ajudando.

O BCAA

BCAA ou aminoácido de cadeia ramificada, são 3 aminoácidos, L-valina, L-leucina e L-isoleucina que compõem cerca de 35% da massa muscular. Consequentemente, são os mais requeridos durante exercício físico pesado. Muita gente argumenta que a ingestão sistemática de BCAA antes e durante o exercício físico pesado cria um efeito anticatabólico, pois na falta de glicose, o organismo queimaria os BCAAs ingeridos e não os musculares, o que resultaria em melhora do rendimento atlético.

No entanto, os estudos têm mostrado que para experiências de até algumas horas de exercício, o benefício é praticamente nulo. Os atletas que tomaram BCAA e os que tomaram placebo não demonstraram diferenças em termos de rendimento físico.

O que se nota é que os que tomaram BCAA conseguiram manter o nível plasmático de glutamina estável após exercício intenso, enquanto que os que não tomaram apresentaram uma redução na sua taxa. Como a glutamina atua ativamente no sistema imunológico, talvez o maior benefício do BCAA seja o de manter a resistência imunológica alta mesmo em regime de treinamento intenso ou de provas.

Se você é tipo de pessoa que tende a ficar gripado sempre que entra em regime de treinamento forte, talvez seja uma boa idéia experimentar o BCAA.

Creatina

Quando você executa ações explosivas ou exercício físico de intensidade muito alta, o seu sistema aeróbico não é suficiente para fornecer toda a energia necessária. Então você ultrapassa o limiar anaeróbico e queima o ATP (trifosfato de adenosina), liberando o fosfato e um punhado de energia. Esse processo é rápido e independe de oxigênio. Você sequer necessita esperar o organismo aquecer.
O ATP é armazenado nas células em concentração baixa e a manutenção da sua taxa está condicionada a sua síntese contínua. A reserva que você dispõe é apenas suficiente para alguns segundos de esforço de pico máximo.

A importância da creatina está no processo de síntese do ATP, que ocorre a partir de outro composto de alta energia denominada CP (fosfato de creatina). O CP é uma espécie de estoque regulador de energia e a sua concentração é cerca de 4 vezes superior a do ATP. O processo de queima de ATP e sua síntese é conhecido como ciclo de ATP-CP.

Depois de toda essa teoria é importante que se saiba que o seu organismo está munido de toda creatina necessária para a reserva de CP, independentemente da sua ingestão como suplemento. Dessa forma, não adianta tomar doses maciças desse produto esperando melhora no rendimento esportivo.

Vitamina C

A vitamina C atua como antioxidante, prevenindo assim a lesão de tecidos, doenças cardíacas e envelhecimento precoce. Também está presente em altas concentrações em diversos órgãos do corpo e no colágeno (fibra protéica que forma ossos, tendões, ligamentos, cartilagens, pele, vasos, ou seja, a estrutura corporal). A falta de vitamina C leva à formação de colágeno “anormal”.

O stress tanto físico como mental diminui a reserva desta vitamina, que também atua no sistema imunológico (na produção de células de defesa). A dose ideal não é estabelecida. Nos EUA, fãs desta vitamina chegam a tomar doses cavalares ao dia. Exageros à parte, é boa pedida na suplementação alimentar.

Ornitargin

É um aminoácido que age no processamento de ácido lático, então ajuda você a não ficar doído e travado. No entanto, esse produto pode potencializar a formação de cálculo (pedra) na vesícula biliar. Se for tomar, não exagere na dose.

Selênio

Faz parte da estrutura de enzimas que são fundamentais para diversas reações bioquímicas. Contribui para neutralizar a ação de substancias do metabolismo das células que podem levar a lesão de membranas celulares. Entre outras funções, atua também na síntese de proteínas e na proteção do organismo contra efeitos causados por metais pesados.

Cafeína

É um estimulante do sistema nervoso central que aumenta o grau de alerta e acredita-se que ela incremente o uso de ácidos graxos para geração de energia e que, consequentemente, pouparia a reserva de glicogênio. Ficar ligadão pode te ajudar no rendimento esportivo, mas esse produto tem também ação diurética. Assim sendo, pode não ser interessante tomar muita cafeína em atividades longas pois você pode potencializar a desidratação. Um outro ponto a considerar é que acima de um certo limite, a cafeína é considerada substância dopante pelos órgãos reguladores de esportes.

E finalmente...

Nada substitui uma dieta balanceada no dia-a-dia para suprir as suas necessidades nutricionais. Porém, quando se trata de competição e esforço físico intenso, a prioridade é garantir energia rápida e suficiente para aquele momento, evitando o maior desgaste possível do organismo. Todo tipo de alimento tem destino certo – energia.

Nas horas e dias seguintes à atividade, o cuidado na alimentação deve ser redobrado. Pirâmide nutricional, alimentação balanceada e todos os conceitos voltam a ter importância.

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