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Assunto: Ambientalismo
Título: Lixo, um assunto complexo
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Parece-me mais ou menos comum a idéia de que o lixo orgânico é o lixo bom pois são biodegradáveis e que o lixo inorgânico é o lixo ruim pois eles são virtualmente eternos. Se confrontarmos uma casca de banana jogada no mato com um saco plástico que teve o mesmo destino esse argumento faz sentido.

Mas vamos pensar em uma escala diferente, tipo o destino que esses materiais tomariam caso estivessem sendo dispensados de uma residência normal. Seriam jogados num lixo comum, coletados pelo serviço público, iriam parar no aterro sanitário. O saquinho de plástico lá ficaria para sempre enquanto a casca de banana apodreceria e passaria a integrar o solo. Conclusão: Casca de banana é lixo bom, saquinho plástico é lixo ruim.

Essa é uma visão simplista de todo o processo. O que tem que se considerar neste caso é o processo que leva a casca de banana à decomposição. Todo material orgânico (fresco ou não) que contém água quando entra no processo de putrefação libera um líquido mal cheiroso, ácido e tóxico chamado genericamente de xurume. Acredito que muita gente já tenha visto esse líquido escorrendo de sacos de lixo que ficou alguns dias abandonados. Pois bem, quando se fala naquela casca de banana jogada no mato, a conseqüência pode ser irrelevante.

Mas quando se trata do volume despejado num aterro sanitário é fácil imaginar quantas toneladas de xurume está sendo gerado todos os dias. E o pior é que esse líquido percola o lençol freático causando um tipo de poluição pouco visível, mas altamente nocivo nos aqüíferos. A descontaminação do subterrâneo é um processo extremamente complexo e caro. E se estragarmos as reservas de água boa do subsolo do planeta, a vida animal como nós conhecemos não conseguirá sobreviver.

E estendendo a nossa compreensão um pouco mais, vamos logo perceber que os aterros sanitários são também focos de concentração de metais pesados, produtos químicos de várias naturezas e materiais tóxicos. Os frascos de inseticida, xaropes, venenos diversos (raticida, etc), lâmpadas fluorescentes, produtos de limpeza, pilhas e tudo mais que jogamos fora, se pensarmos em uma escala doméstica pode ser pouco. Mas os lixões das cidades grandes recebem diariamente milhares de produtos potencialmente nocivos. Se tivéssemos a condição de separar os resíduos de cada fonte veríamos que se trata da grandeza da ordem de toneladas de venenos, produtos químicos, metais pesados e tudo mais ao longo do ano, materiais estes que também estão infiltrando nos lençóis freáticos.

Voltando uma vez mais ao nosso velho saquinho plástico e analisarmos pela perspectiva da reciclagem, vamos ver que esse material nem é tão ruim assim. O processo requer muito menos energia do que a reciclagem de papel (que ainda tem o problema químico dos alvejantes). Isso sem falar no fato de poder fabricar embalagens que sejam 10 vezes menos volumoso com a mesma resistência do papel. Enfim, a questão do lixo não se resume no material, mas sim no tratamento que damos a ela. A velha frase “o lugar do lixo é no lixo” pode não estar errada. Mas está longe do ideal.

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