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No Brasil é mais ou menos senso comum de que educação ambiental é um processo pelo qual um grupo de pessoas (normalmente crianças ou adolescentes) visita uma área relativamente preservada e, acompanhado de um guia e/ou educador, aprende sobre as peculiaridades da região e adquire algum conhecimento sobre o ecossistema local.
No entanto o que se espera das futuras gerações em termos de conhecimento ambiental vai muito além de saber quantas espécies de plantas ou animais vivem numa determinada região e como eles interagem, conhecer o conceito da biodiversidade ou ter noção do potencial econômico, farmacêutico ou medicinal que a natureza (ou o que restar dela) pode nos oferecer. Isso não é nada mais do que um punhado de informações multidisciplinares que gira em torno da biologia e geografia.
Tem que se entender que a conscientização ambiental só terá sentido e somente produzirá efeito a partir do momento em que as pessoas perceberem que o que está em questão não é uma apenas mais uma campanha isolada para salvar as baleias, mico-leão-dourado ou ararinha azul. Nem tampouco se resume em deixar de cortar as árvores dos parques, reservas e áreas de proteção ambiental.
A conscientização ambiental diz respeito ao processo de incorporação da responsabilidade que cabe a cada um de nós como cidadãos em termos de hábitos e procedimentos do cotidiano.
É necessário que se adotem as medidas possíveis para que as pessoas percebam que o que se trata é uma questão ambiental na escala planetária. O meio ambiente não é apenas a fauna e a flora dos parques e reservas. E é matéria de conservacionismo ambiental tudo que diz respeito a preservação do equilíbrio do planeta incluindo questões como poluição, lixo, água subterrânea, qualidade do ar, aquecimento global, aterros sanitários, desertificação, camada de ozônio, e tudo mais até chegar no quintal de cada um de nós.
Utilização de procedimentos didáticos e experienciais pelo qual as pessoas percebam que cada ação que fazemos produz um efeito no meio ambiente ainda é muito incipiente no nosso país. Cada grama de lixo e dejeto que produzimos é nocivo ao meio. Em termos globais as questões como poluição de água e ar, contaminação do subterrâneo e dos lençóis freáticos e a deterioração de aquíferos têm causado mais danos ao ambiente do que questões localizadas. E cada um de nós tem uma pequena parcela de participação nisso.
Então o que se espera de educação ambiental (tanto no sentido ativo quanto passivo) é a criação de estruturas didáticas e experienciais pelo qual as pessoas percebam o grau de responsabilidade que cabe a cada um de nós de forma que passemos a agir adequadamente, não apenas durante a visita aos parques e reservas, mas no dia a dia de forma a adotar procedimentos de baixo impacto ambiental produzindo menos lixo, menos dejeto, gastando menos energia, praticando reciclagem, gerando menos calor, evitando desperdícios e, o mais importante, formando cidadãos que após ingressar no mercado de trabalho tenha conhecimento de assuntos como desenvolvimento sustentado, ética ambiental, tecnologia limpa e que tenha condições de tomar decisões que ajude ao máximo preservar os recursos do planeta (não se trata apenas das áreas naturais).
Mesmo no sentido de benefício imediato, se conseguirmos criar uma comunidade que gere menos lixo e trate dele adequadamente o retorno poderia ser sentido de imediato, inclusive no aspecto econômico e administrativo. Basta citar que o assoreamento e entupimento de dutos de águas pluviais nas grandes cidades ocorrem normalmente em conseqüência dos lixos e entulhos. Menor volume de lixo significa também menor estrutura de coleta e menos material nos aterros sanitários. Mesmo considerando apenas e somente este aspecto (que nada mais é do que uma pequena fração do conjunto) a economia em termos de gasto público seria significante e a verba economizada poderia estar sendo empregada em outras necessidades.
E se pensarmos na última instância do mundo ideal onde a conscientização ambiental atingisse o nível de 100% para toda a população simplesmente acabaria a necessidade de se criar zonas de proteção ambiental (reservas ecológicas então nem se fala). Também não precisaríamos criar as leis ambientais bastando alguns diretrizes para orientar as pessoas pois todos agiriam adequadamente sem a necessidade da fiscalização. As grandes áreas públicas como parques apenas careceria de um plano de manejo e a divulgação da mesma para que os visitantes agissem de acordo com as orientações elaborados a partir dos estudos de compatibilidade levantada pelos técnicos, acadêmicos e cientistas.
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