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O conceito não é novo, de forma que muita gente já deve ter ouvido falar sobre idade de protesto e idade da ação.
A idade de protesto define a fase em que pessoas levantam bandeiras para reivindicar mudanças, normalmente de cunho político, ou estrutural de grande escala que (supostamente) revertem em bem comum. O termo supostamente ficou entre parênteses porque a maneira como essa bandeira é carregada muitas vezes resulta em ações que causam transtornos para uma porção considerável da sociedade, podendo até adentrar no campo da ilegalidade.
Por outro lado, a idade da ação define a fase em que, independentemente das atitudes políticas ou estruturais de grande escala, as pessoas assumem individualmente uma parcela da responsabilidade sobre o tema em questão e agem para minimizar o impacto ou stress que cada um pode estar causando no sistema. Obviamente, isso não elimina a possibilidade de protesto em grande escala, mas mesmo nesse sentido existe uma avaliação prévia de responsabilidade e ética.
Existem questões em que somos vítimas de nós mesmos, pelo menos até certo ponto. Por exemplo, todo mundo é contra a violência no trânsito. No entanto, qual o percentual de motoristas que indicam a intenção de mudança de faixa ou direção com o uso da seta no transito brasileiro? Volta–e-meia somos surpreendidos por um veículo cruzando repentinamente na nossa frente sem nenhuma sinalização. E o interessante é que uma boa parte desses veículos são modelos caros supostamente conduzidos pelas pessoas que tiveram acesso à cultura e educação, justamente a classe que mais reclama dessa tal violência no trânsito. Talvez muitos nem percebam que a violência não se resume em acidentes e assaltos, mas que é o conjunto de todos os atos que causam essa tensão no nosso cotidiano. No final das contas somos vítimas inclusive das nossas próprias ações.
Se os motoristas brasileiros atingissem a idade de ação, onde todos de fato agem de acordo com o código nacional de trânsito (que nada mais é do que fazer o certo) a violência no transito diminuiria muito e toda a sociedade se beneficiaria com isso. A responsabilidade de zelar pelo trânsito automotivo não é apenas dos políticos e dos órgãos reguladores, mas também de todos nós. Eu pessoalmente não acho que os brasileiros em geral dirijam mal, mas acho sim que dirigem muito errado. Por outro lado, achei que, em termos relativos, os japoneses dirigem mal, mas o trânsito nem por isso é violento na terra do sol nascente. Eles dirigem certo e respeitam muito mais uns aos outros.
O ambientalismo brasileiro está no mesmo pé do nosso trânsito. Estamos todos preocupados e queremos mais rigor nas fiscalizações do IBAMA, queremos medidas mais rigorosas para controlar as indústrias poluidoras e tudo mais. E o que fazemos individualmente para melhorar esse contexto? Muitos nem se dão conta de que problemas como a questão dos aterros sanitários e o estado da Lagoa Rodrigo de Freitasno Rio de Janeiro ou do complexo Tietê – Pinheiros foram gerados em grande parte pelo lixos e dejetos residenciais, ou seja, poluição que NÓS mesmos produzimos.
Quando se chega nesse ponto, a questão ambiental é quase um problema cultural. Não fomos educados para gerar menos lixo, usar menos produtos de limpeza, menos água, menos energia e tantas coisas mais que fazemos e que afeta o meio ambiente.
Para assumirmos uma postura de menor impacto ambiental temos que nos reeducar e estarmos dispostos a ter um pouco de trabalho por isso. Teremos que mudar alguns hábitos do cotidiano e isso pode significar um pouco de empenho. Esse é um processo longo e quanto mais você fizer, mais vai reparar que tem coisas a serem feitas. No entanto, não viemos para esta vida para desistir das coisas importantes assim tão facilmente, certo?
Note que os efeitos das ações individuais de baixo impacto ambiental só aparecem em escala. Se você imaginar isoladamente as gramas a menos de lixo que você for gerar ou dos produtos de limpeza que for economizar, isso nada significará. Mas se todo mundo assumir a sua parte, poderemos melhorar esse nosso mundinho surrado.
Algumas coisas que você pode fazer no cotidiano:
Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082 |