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Ideal seria se todos nós pudéssemos, assim que resolvêssemos participar de uma corrida de aventura, conseguir montar uma equipe coesa, organizada e redondinha. Mas normalmente este é um processo que avança devagar, com trancos e problemas. Haverá uns pares de conflitos, stress e muitos erros. Então, qualquer pessoa que esteja procurando formar uma equipe para esse tipo de atividade deve saber que provavelmente necessitará de muita paciência e tropeçará em muitos erros durante um período de tempo relativamente longo até conseguir uma equipe consistente.
O primeiro passo é pesquisar um pouco do que se trata esse negócio de Corrida de Aventura. Supondo que isso já tenha sido feito, e a conclusão a que se chegou é de que você realmente quer experimentar esse PI (Programa de Índio), é hora de se concentrar nos meios de viabilizar essa atividade, senão se divertindo, pelo menos sem muito sofrimento e frustração.
Foto: Alice Shintani. Muita paciência até conseguir montar uma equipe consistente e harmoniosa.
Uma vez li um "troço" que dizia algo como: "o ser humano tem o costume de cometer erros devido à pressa". Quando alguém deseja fazer algo, primeiro ele deve avaliar se essa vontade é real. E se concluir que sim, então é hora de esquecer esse negócio como objetivo final e concentrar apenas no meio, na próxima etapa. Só assim ele consegue ficar livre da ansiedade e evitar cometer erros.
Acho que isso vale para tudo na vida. Como a corrida de aventura é uma atividade relativamente complexa, você deve avaliar todos os pontos envolvidos (estrutura, equipamento, condicionamento físico, técnico, etc.) e trabalhar um a um até conseguir colocar-se em condição. Na minha opinião, só então a pessoa deve começar a procurar os companheiros para montar a equipe.
Este é um ponto muito delicado, pois nem sempre é fácil reunir pessoas que têm aptidão física e afinidade necessária para a harmonia da equipe. Deve-se considerar também o objetivo (ou propósito) esportivo de cada um, pois esse é um outro ponto que pode resultar em conflitos. O ideal é que a equipe seja composta por, digamos, similar minded people, como dizem os americanos. É comum um grupo de pessoas se darem muito bem durante os treinos mas não se entenderem em prova. Isso acontece com frequência devido ao conflito de interesses.
Existem neste estágio algumas fases importantes que:
1- Em termos ideais, considerando-se um certo nivel de aptidão física e técnica, as pessoas devem buscar os companheiros no seu círculo de amigos, priorizando o relacionamento pessoal. Tentem não supervalorizar as características físicas e técnicas. A compatibilidade de personalidade e dos objetivos (ou talvez melhor chamarmos de propósito esportivo) é muito mais importante.
2- As primeiras experiências conjuntas, em minha opinião, não deveriam ser numa prova. Aqui vale o velho ditado: "a pressa é inimiga da perfeição". É muito importante que façam treinos juntos, sem a pressão de competição, para poder errar à vontade e amadurecer. Ter tido experiências de convívio em situações adversas é fundamental para a formação de uma equipe.
3- Inicialmente aprenda a reconhecer os pontos fracos de cada um dos integrantes e posteriormente assuma que estes pontos fracos são da equipe. Acho muito estranho ouvir alguém dizendo coisa do tipo: problema do nosso time é que o pedal de fulano é fraco – ou coisas assim. O correto seria assumir que o problema da equipe é o pedal fraco. Uma vez que as pessoas se reconhecem como equipe, elas têm que aprender a admitir tanto as qualidades quanto os defeitos como adjetivos da equipe e, mais, trabalharem em conjunto para melhorar estes pontos fracos.
4- A partir dessa fase, esse negócio de corrida de aventura começa ficar mais interessante, pois passa a ser um problema de administração estratégica. Conhecendo as qualidades e as fraquezas da equipe torna-se possível formatar planos estratégicos. Quem é o integrante que precisa mais de água? E de comida? Quem pode carregar mais peso do que os outros? Como se comporta cada um dos integrantes em ambientes de extremo calor, frio ou umidade relativa muito elevada? Que tipos de calçado e meias são necessários para evitar a formação de bolhas nos pés? Com que frequência ou condições eles devem ser trocadas? Qual o ritmo que se pode impor em cada uma das modalidades envolvidas sem comprometer o rendimento futuro?
Enfim, quanto mais informações tiverem melhor pode ser o planejamento. Aliás, o segredo do planejamento é saber detectar todo e qualquer problema que por ventura a equipe possa vir a ter no decorrer da prova e estar: primeiro, preparado para não deixar que eles aconteçam; segundo, se mesmo assim os problemas acontecerem, ter os procedimentos prontos de antemão para sair deles rapidamente com o mínimo de prejuízo; terceiro, ter agilidade e flexibilidade suficientes para poder adequar-se às novas condições impostas pelos imprevistos e mudanças de situação.
Acredito que uma equipe que esteja preparada pelo menos nestes quatro pontos, está pronta para poder entrar numa prova e se divertir.
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