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Tecnologia dos Tecidos e Vestimentas |
Aqui farei comentários sobre alguns itens de equipamento e roupas. Notem que o que está escrito aqui é uma questão de preferência pessoal. Acredito que existam muitas pessoas que discordem, pelo menos parcialmente, da minha opinião. No entanto, espero que alguma coisa possa servir:
Mochilas: muita gente me pede recomendação sobre uma mochila boa para corrida de aventura. A resposta não é tão simples, pois temos que considerar as situações para tomar esta decisão. Se você está saindo para uma perna de ciclismo (que normalmente não envolve tanto planejamento e nem navegação), mesmo considerando os equipamentos obrigatórios você não precisa de mochila muito grande. Mas se você estiver competindo num lugar frio e estiver deixando o PC para uma perna relativamente longa de caminhada já no final da tarde ou à noite, então você provavelmente vai querer levar mais coisas para frio e eventual bivaque, além dos materiais obrigatórios. Eu tenho procurado ir para as provas levando duas mochilas de diferentes categorias.
Todas elas têm que estar preparadas para aceitar o sistema de hidratação (tipo Camel Back), ter bolsos externos ou sistema elástico para acomodação de itens pequenos e, muito importante, ter uma estrutura boa para não cansar as costas e/ou causar assaduras. Um modelo bem genérico e que acho que funciona muito bem, principalmente para as mulheres (tanto para caminhada quanto para ciclismo), é um modelo chamado Flyweel 30, da Lowe Alpine. Nas provas longas é bom ter pelo menos uma mochila que comporte quarenta litros em volume por equipe, pois pode ser necessário levar colchonete isolante térmico e roupas para frio.
Nas pernas de ciclismo tenho em geral carregado o modelo menor, da ordem de vinte litros. No entanto, se considerarmos as equipes de ponta no cenário mundial, podemos notar que os atletas realizam toda a prova com uma única mochila. Eles carregam o mesmo equipamento – aparentemente mochila com cerca de trinta litros de capacidade - na caminhada, equitação, MTB ou em qualquer outra modalidade. Talvez tenhamos que adquirir mais experiência e realizarmos testes para chegarmos ao mesmo ponto.
Porta Mapas: eu nem sempre gosto de plastificar os mapas pois acho mais fácil trabalhar sobre papel do que sobre plástico. Portanto, procuro ter um porta mapas confiável e que não vá me deixar na mão. Gosto de modelos grandes pendurados no meu pescoço, pois consigo ter visão geral da topografia. Eu não uso prancheta presa no guidão da bicicleta pois isso exige que eu pare toda vez que queira consultar o mapa.
Bússola e Altímetro: mais uma vez tenho que citar a marca do produto: SUUNTO. O modelo Vector (e agora existe mais um que vem com o sistema de pulsômetro da POLAR que chama Advisor) trabalha com varredura e compensação contínua possibilitando leitura imediata. Esse sistema é muito superior ao da CASIO ou AVOCET. Com esse equipamento nem preciso parar a bicicleta para aferição. Mais uma função interessante, que talvez seja útil algum dia, é o de rastreamento de azimute.
Óculos: você necessita pelo menos dois pares de óculos, um escuro, para uso diurno e um claro (ou de contraste – eu prefiro estes), para MTB noturno. Sugiro que utilizem modelos leves, pois a energia de deslocamento inercial é menor, e com isso ele corre menos risco de sair do rosto com movimentos bruscos ou trepidação. Produtos com lentes de vidro, nem pensar. Não subestimem a necessidade de proteção noturna. Num piso molhado ou sob chuva, com o pneu dianteiro espirrando lama no seu rosto, você vai se odiar se não estiver com óculos. E para não dizerem que não falei, imaginem a quantidade de galhinhos e folhas que você pode levar na cara num single track. Um outro ponto a considerar é a forma que os óculos prende na cabeça. Os modelos que apoiam na orelha pode acabar causando assaduras ou irritações. Eu prefiro os que abraçam a cabeça.
Boné: é um material fundamental, não só para proteger o coco contra a lua escaldante que brilha no céu mas também para esportes de remo em água salgada/salobra. A aba de boné é um escudo relativamente eficiente contra o respingo que, se cair no olho (ou na testa e escorrer) pode ficar ardendo. Apenas tome cuidado para encontrar um modelo com bom corte e que tenha a parte inferior da aba em cor escura. Já vi um monte de porcarias por aí, até alguns com a parte inferior da aba confeccionada em cor branca, que mesmo fazendo sombra no rosto produz muito reflexo e contrai as pupilas prejudicando a visibilidade.
Bicicleta: acima de tudo leveza e conforto, mas o problema é que isso custa caro. O ideal seria poder ter uma magrela de menos de 11 kilos full suspension. Muita gente tem preconceito contra suspensão traseira devido ao problema de perda de energia na subida, mas esse assunto foi definitivamente resolvido com a vinda de amortecedores a ar e agora com os modelos de comportamento variável.
Quanto aos pneus, a tendência mundial indica que eles estão emagrecendo, sendo cada vez mais raro ver os 2.1 borrachudos para cross country apesar deles terem ditado a regra no passado. Agora a onda é 1.95 ou 1.9 que rodam melhor na lama, se bem que tem gente usando até 1,75 (estes só na lama, pelo menos por enquanto). Os cravos centrais também estão diminuindo, principalmente para aqueles que rodam predominantemente no chão de terra batida – o que normalmente é o caso das corridas de aventura.
De qualquer forma, sempre é bom ter um par de pneus de tração para condições de lama, pois os semi slicks são um pouco escorregadios. Eu tenho utilizado pneus 1.9 borrachudos na dianteira e semi slick na traseira, pois busco um conjunto que consiga fazer curvas sem perder estabilidade (lembre-se de que caso o pneu dianteiro escape numa curva você provavelmente cairá) e que tenha pouco arrasto. Quando encontro terrenos lamacentos ou areião, alivio a pressão até cerca de 30% do normal, dependendo da situação –pressão normal para rodar no chão de terra é da ordem de 45lb (eu peso 75 kg).
Atenção: não esqueçam de reinflar os pneus se forem pegar um downhill e/ou terreno pedregoso em seguida. O impacto de pedras com pneu sem pressão pode cortar borracha (não só do pneu mas também a da câmara) muito facilmente e, em certos casos, até entortar o aro. Como peças e ferramentas, é praticamente obrigatório carregar câmaras de reposição, kit reparo de câmara furada, espátulas, jogo de chaves, chave de corrente, elos de corrente reserva, bomba e eventualmente gancheira de reserva.
Lanterna: estava no evento organizado pelo Rumos, liderando a prova na perna de MTB sob chuva já noite adentro. Estava relativamente tranquilo. Apenas curioso: quão perto estaria a equipe Equinócio que havia começado a pedalada junto conosco. O meu odômetro indicava que a distância que havia memorizado para a próxima bifurcação se aproximava. O meu holofote Niterider não ia deixar passar o ponto de referência, mas apenas para me certificar liguei o super halogênio da minha lanterna frontal para conferir o mapa.
Sem parar a bicicleta, bati no meu Suunto para conferir o rumo e analisei a carta. Tudo checado, levantei a cabeça para ver a estrada e tive uma grande surpresa: Estava tudo escuro. Levei alguns segundos até entender que a luz halógena do meu headlamp batendo na superfície clara da carta topográfica havia contraído minhas pupilas a ponto de não conseguir ver o caminho, nem com a potência do Niterider. Desde então nunca mais usei luz halógena para leitura de carta em MTB.
Essa história é engraçada, pois achava que sempre era bom ter luzes mais fortes. Mas tenho reparado que mesmo em caminhada, quando se analisa o mapa com luz muito forte, você leva um tempo até conseguir dilatar as pupilas e distinguir as feições topográficas. Hoje vou para provas munido de lanternas de sistema dual (halógena e LED).
Os equipamentos possantes com lâmpada halógena ajudam muito na busca de feições topográficas e marcas, sem falar no adianto quando se está rastreando uma trilha. Mas uma lanterna de intensidade menor é também importante pelo menos para aquele que está navegando.
No ciclismo as luzes fortes são muito úteis nas descidas: você poderá ter mais velocidade e segurança. Mas considerando-se que a vida útil de bateria não é lá grande coisa, procuro ter uma dessas lanternas tipo Cat Eye para poupar a energia do Niterider nas subidas e locais mais lentos. Entre os Headlamps os modelos ideais são aqueles equipados com LEDs e lâmpadas pois pode-se regular a intensidade da luz de acordo com a necessidade.
Calça: tenho gostado muito de utilizar as calça-bermuda (calça em que as pernas podem ser desconectadas com zípper) de supplex. São leves, frescas, secam rápido e oferecem uma proteção muito boa (o supplex é um dos tecidos mais fortes no mercado). Já usei bastante tights de lycra, mas são quentes, fracas e não oferecem muita proteção, principalmente contra espinhos. Acho cômodo ter bolsos relativamente fundos para poder enfiar os squeezes e barras, assim como as embalagens (lixo) sem ter a preocupação de ficar derrubando coisas por aí. Um ponto que acho que poderia ser melhorado nos produtos que temos no mercado é a barra, que deveria ser mais fina. Os fabricantes alegam que elas mantêm a boca larga para poder vestir a calça sem tirar o calçado, mas acho muito mais importante ter um produto com o qual se possa trotar (ou eventualmente até correr) com conforto. Durante uma prova o tempo que se perde vestindo e tirando a calça (o que normalmente é feito nos AT) é desprezível se comparado com o tempo que se ganha correndo ou trotando.
Camisa: para provas em locais quentes gosto de utilizar camisetas claras de manga longa de produtos sintéticos. A manga oferece um pouco de proteção, principalmente contra o sol, e os produtos leves de rápida secagem são mais confortáveis do que o velho algodão que é pesado e encharca. Notem que o Cool Max é uma patente antiga (talvez mais de 15 anos) e obviamente existem muitos produtos equivalentes e até superiores. Nos ambientes mais frios é conveniente ter produtos como Thermax, DryFlo e Powerstretch Pile que não pesam nada e são muito eficientes. Os produtos confeccionados em fibras sintéticas – principalmente as variações de poliéster – possuem a vantagem de serem inerentemente antibióticos, o que ajuda a manter o cheiro no nível suportável e evitar infecções e fungos.
Agasalho: uma jaquetinha técnica, leve, impermeável e transpirável é sempre uma segurança. Na Patagônia tive a experiência de ver pessoas utilizando jaquetas de montanha e se dando mal enquanto eu estava sequinho no interior de uma jaquetinha de 250g de peso, pelo menos 500 ou 600g mais leve do que as jaquetas convencionais. As vantagens que eu tinha: primeiro, o corte quase que perfeito da minha jaqueta com o qual consegui obter um ótimo fechamento mesmo com vento frontal de 40 ou 50 km/h; segundo, eu conhecia bem o produto para poder extrair o máximo rendimento. Sei que vão suspeitar da minha opinião, mas não troco o Adrenaline Anorak da Lowe Alpine System por nada.
Meias: meias são fundamentais, juntamente com os calçados, para preservar o bom estado dos pés. Considerando-se as situações adversas que podemos encontrar no decorrer de uma prova de aventura, a atenção deve ser redobrada. Correr sobre asfalto plano é muito diferente de caminhar em terrenos irregulares, muitas vezes com os pés molhados e até enlameados. É importante que as meias sejam capazes de resistir à saturação por transpiração, além de conseguirem manter a maciez mesmo molhadas, enlameadas ou com areia. Utilizo modelos tecnológicos como as meias Ultimax, invariavelmente de material sintético. São super confortáveis, previnem a formação de bolhas e o fato de serem confeccionadas predominantemente com material sintético aumenta a resistência à saturação, e os materiais menos propícios para proliferação de fungos e bactérias ajudam na preservação do bom estado dos pés.
Calçado: botas pesadas de trekking estão fora de cogitação, a não ser para pessoas que realmente necessitam delas para apoio estrutural. Tem se observado que, mesmo em ambientes de clima frio, as equipes têm utilizado calçados cada vez mais leves no estilo tênis de corrida. Eu também acho que a maciez e o conforto dos tênis de corrida são imbatíveis. Apesar de serem materiais mais frágeis do que calçados de trekking, rendem muito melhor em termos de resultado. No entanto devemos nos preocupar para não utilizarmos calçados com o solado demasiadamente macio, especialmente em provas muito longas e/ou em terrenos pedregosos. É bom que o seu calçado seja firme o suficiente para não transmitir pressões localizadas de bicos de pedras para a sola do seu pé. O que numa distância curta pode até parecer massagem pode acabar em fascite plantar, que resulta em dores generalizadas na planta dos pés e inflamação.
Capacete: para aqueles que já possuem capacete, apesar de que no Brasil a maioria das provas permitir os atletas a utilizarem um mesmo capacete para técnicas verticais e MTB, vale um lembrete: Os capacetes de montanhismo foram projetados para suportar basicamente impactos pontuais de alta velocidade como queda de pedra e eventualmente sofrer pancadas do tipo escalador em queda. Enquanto isso os capacetes de ciclismo foram projetados para suportarem impacto de deslocamento de baixa velocidade (comparado a de queda de objetos) no caso de tombos. Eles são até furados, o que tornariam fracos contra impactos pontuais, principalmente contra perfuração. Assim sendo é importante você estar munido de equipamento adequado para cada atividade.
Bastão de Caminhada: o bastão é fundamental para poupar os pés. Se você reparar nas fitas de corridas internacionais de grande dimensão reparará que todos utilizam os trekking poles. Este equipamento bem utilizado consegue aliviar entre 5 e 10% do peso, além de melhorar o equilíbrio em terrenos mais técnicos e travessias de rios. Considerando-se que a maioria das baixas das provas é decorrente de problemas dos pés, o equipamento que consegue aliviar a carga da caminhada é praticamente um item necessário para as equipes competitivas. Os modelos com absorção de choque causam menos stress nos cotovelos.
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