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Uma vez que você conseguiu montar uma equipe e inscrever-se numa prova é só aguardar a largada, certo? Errado. Você tem que preparar todo material, arrumar o carro de apoio adequado, organizar a comida, revisar a bicicleta... se não correr você não vai dar conta.
Quando enfim chegar o evento, você passa pela checagem, burocracia, formalidades e briefing. É o momento em que você gostaria de relaxar para largar tranquilo, mas então se dá conta de que o mapa tem que ser plotado e preparado. É a hora de fazer um dos trabalhos mais importantes para corrida de aventura: a elaboração da estratégia.
A grande maioria das provas importantes hoje entrega os mapas e a planilha com alguns dias de antecedência, pois a organização sabe que uma boa estratégia é fundamental na definição da prova, ao mesmo tempo em que é um capítulo à parte em termos de atração do evento.
Foto: Alice Shintani. A elaboração de uma boa estratégia antes da largada é fundamental na definição da prova.
Um mapa bem plotado fornece informações que nem sempre são evidentes. O caminho mais curto nem sempre é o melhor, um bom estrategista pode, por vezes, conseguir obter informações que o óbvio esconde.
Eu tenho como hábito plotar os PCs e analisar as possíveis vias. Normalmente traço todas as opções que me parecem razoáveis e então passo a analisar as distâncias parciais e o relevo para tentar chegar a uma conclusão. Nos trechos de alta declividade anoto as cotas dos vales e cristas, assim como o desnível total dos segmentos que considero relevantes. Isso me ajuda não apenas na escolha da rota mas também a programar o ritmo e os descansos.
Por exemplo, tendo a escolher rotas com relevos mais suaves nos trajetos de MTB mesmo que a distância seja um pouco maior. Procuro diminuir o ritmo da atividade um pouco antes de entrar nas subidas longas para pegar o problema o mais descansado possível. Tendo a fazer os descansos sempre quando completo mais ou menos 70% das subidas. Sei que alguns preferem concluir a parte difícil para descansar, mas não vejo muita razão. Se você já terminou de subir, por que precisa de descanso? Para esse tipo de procedimento o monitoramento de altitude é fundamental.
Nas pernas de MTB a plotagem das distâncias parciais entre pontos marcantes (bifurcações, cruzamentos, igrejas, rios, etc) é muito importante. O navegador vai simplesmente zelando o odômetro a cada feição enquanto alguém monitora a distância total, apenas para evitar erros. Tendo um mapa bem plotado e uma bússola eletrônica de compensação contínua você quase não precisará parar a bicicleta para navegar nas estradas de chão batido.
A consideração da rota e do relevo é muito importante, pois todo seu planejamento (incluindo o tempo estimado, quantidade de comida e água, isotônicos, barras, baterias extra, etc.) depende disso. Um outro ponto a considerar é o fato de que tendo o tempo estimado você pode inferir se conseguirá cumprir a etapa com luz natural ou não.
Mais um ponto a se considerar em termos de planejamento é como acondicionar os materiais e equipamentos e a sua distribuição entre os integrantes da equipe. Essa organização é importante para não perder tempo nas checagens obrigatórias e manter o bom estado de funcionamento e/ou conservação dos materiais especialmente em percursos mais úmidos.
Em termos de organização de materiais no carro de apoio, tente montar um sistema simples e eficiente. Lembre-se de que quem mais irá manusear os materiais será o pessoal do apoio. Assim, ter um sistema desburocratizado e funcional é fundamental. Acho que alguns materiais são mais fáceis de serem organizados pela modalidade, e não por competidor.
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