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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Montanhismo e a questão ambiental
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Praticar atividades ligadas ao montanhismo é um excelente modo de viajar e tomar contato com pessoas, culturas, e locais diferentes.

Seja por puro lazer ou para superar desafios pessoais, esse esporte serve de motivação para a manutenção de um programa de treinamento, já que para desfrutar melhor das várias opções que a atividade oferece é necessário nos mantermos em forma.

O contato com o ambiente natural proporciona a oportunidade de conhecer as dimensões – grandiosidade e detalhes – do espaço à nossa volta. Enfim, é um ótimo momento para perceber a beleza, toda a imponência poética da natureza e o fino equilíbrio das forças ativas que regem o planeta.

Conhecer para amar, amar para preservar. Sem dúvida, o excursionismo tem contribuído mundialmente para estabelecer um padrão de consciência ambiental necessário não só para conservar os recursos naturais do planeta, mas também para garantir a sobrevivência da própria espécie humana.

É crucial agir com consciência todas as vezes que uma atividade promover o contato direto com a natureza. Deve-se ter em mente que o simples ato de caminhar por uma trilha pode representar uma forma de agressão ao meio ambiente - a movimentação das pessoas pode desagregar a terra, que por sua vez sofrerá com as chuvas e apresentará sulcos que desencadearão a erosão.

Como devemos, então, fazer para agir da forma menos agressiva possível ao meio ambiente? A resposta é simples: devemos encarar o excursionismo e a questão ambiental não apenas como mais um esporte e fonte de lazer, mas sim como um estilo de vida.

Essa questão não diz respeito apenas à prática do excursionismo. No nosso cotidiano, deveríamos nos perguntar que tipo de contribuição podemos dar para o bem-estar do planeta. Como podemos gerar menos calor, lixo, barulho ou agressividade? Como podemos tornar este planeta um lugar melhor para viver? Enfim, o que podemos deixar para gerações futuras? 

Por exemplo, o que nos custaria manter um pequeno estoque de sacos plásticos (aqueles de supermercado) no porta-malas de nosso carro para que pudéssemos reutilizá-los na hora de fazer novas compras? Ou então, que tal se usássemos 1g a menos de produtos de higiene como sabonete, shampoo e pasta de dentes por dia? Se 5% da população de uma cidade como São Paulo fizesse isso, seria quase 1.000.000 de pessoas por dia jogando menos 1.000Kg de produtos de higiene nos rios Tietê e Pinheiros. Isso significaria menos 364 toneladas de poluentes por ano, além das embalagens correspondentes aos produtos em questão. Esse tipo de raciocínio pode ser estendido a quase a tudo no nosso cotidiano.

Se não estamos dispostos sequer a mudar um pouco que seja do nosso hábito cotidiano em função do meio ambiente, com certeza não temos o direito de exigir o fim do desmatamento da Amazônia, da caça às baleias ou que as indústrias tratem os gases e os dejetos antes de lançá-los à natureza. Em uma escala ínfima, individualmente, estamos todos fazendo o mesmo no nosso cotidiano. A busca pelo conforto, tecnologia, qualidade de vida e até as questões relativas à vaidade humana têm agredido a natureza de alguma forma.

Todo mundo quer obter benefícios de graça. No entanto, não há ambientalismo sem participação. Essa questão não deve ser tratada como um modismo ou um item de consumo. A questão ambiental deve sim ser encarada como parte de nossas vidas. O excursionismo é, sem dúvida, uma excelente forma para aceitarmos o simples fato de que a reavaliação do espaço ocupado pelo homem no planeta é uma questão urgente. Nós, que melhor conhecemos as belezas do planeta e sabemos tão bem que não vale a pena perder tudo isso, devemos nos comportar modo exemplar para a comunidade como um todo

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082