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Quando se fala sobre a questão ambiental nos deparamos sempre com a velha pergunta: por que não restringimos o acesso a todas as áreas selvagens que ainda restam para preservá-las da depredação humana? Essa discussão ainda vai dar muito pano para a manga. Os ‘ecochatos’ de um lado e os excursionistas predatórios no outro extremo ainda vão brigar muito por essa questão.
Aquele que luta contra o monstro deve tomar cuidado para que com isso ele mesmo não acabe se tornando um monstro – “E se olhares fixamente para o abismo, o abismo também se fixará em ti” (Nietzsche).
Nessa questão ambiental, ou melhor, em tudo na vida, devemos tomar muito cuidado para não acabarmos em um dos extremos e com isso nos tornarmos um dos monstros de Nietzsche. Acontece que, nesse campo, existem muitos casos de ‘fogueira de vaidades’ e as pessoas saem criticando indiscriminadamente tudo que é feito pelos outros, principalmente os atos executados pelos grupos rivais. Existem experiências bem sucedidas em ambos os casos, tanto de fechamento de áreas para recuperação quanto de abertura de novos espaços para criar oportunidade de contato sadio entre o homem e a natureza. Em nosso meio, um pouco mais de bom senso e de humildade nos levaria a aplaudir os trabalhos alheios bem executados.
Voltando ao ponto ‘conhecer para amar, amar para preservar’, independentemente das atividades de escalada ou de outros esportes, é necessário que sejamos muito criteriosos ao questionar a interdição ou fechamento de determinada área. No Eldorado Canyon, em Bouder, existem paredes que ficam fechadas para escalada em determinada época do ano, durante o período em que as aves nidificam - e esse é um motivo justíssimo. Mas uma interdição que deixe o local abandonado sob o argumento de recuperação natural, normalmente não traz efeito positivo, a não ser que haja um meio de monitorar e fiscalizar o processo.
Nos EUA existe uma entidade muito forte chamada Access Fund, que cuida das questões de acesso e manejo de áreas de escalada. Sua preocupação não se restringe às vias de escalada, mas, como o próprio nome diz, também ao acesso a elas. Essa entidade faz desde projetos para o aumento ou abertura de estacionamento e trilhas de acesso, até a negociação das regras de manejo juntamente com os administradores dos parques e os donos das terras.
O objetivo final nunca é fechar, mas sim garantir que haja acesso ao máximo de áreas e vias de escalada com mínimo prejuízo ao meio ambiente. A Access Fund também organiza eventos ambientalistas, como projetos de limpeza de paredes (marcas de magnésio) e coleta de lixo, com a participação de voluntários da comunidade.
Todos nós devemos ser conscientes e assumir que temos nossa parcela de responsabilidade em relação à conservação das áreas de escalada. O uso excessivo delas também é um assunto a ser considerado. Muitos administradores de parques e de áreas onde há alta freqüência de escaladores pedem para que os usuários variem os locais de prática do esporte a fim de descongestionar a área e dar oportunidade para outros visitantes esporádicos aproveitarem o espaço. Todos nós devemos ter consciência de que o usufruto dos recursos naturais para o lazer, mais do que um direito, é um privilégio.
Para poder garantir o acesso às áreas de escalada devemos agir da forma menos agressiva possível tanto em relação ao meio ambiente quanto em relação ao povo local e turistas convencionais. Aprender a respeitar é o primeiro passo para ingressar no universo de outdoor sports
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