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Alexandre Portela é sem dúvida um dos melhores escaladores brasileiros de todos os tempos. Os seus feitos e conquistas fazem parte consistente da história deste esporte no país. Tenho a felicidade de ser seu amigo e de ter tido oportunidades de escalar com ele.
Um dia estava com ele, nem me lembro bem onde. Preparávamo-nos para escalar e ele ia tomar a ponta. Eu sou um desses escaladores meio neuróticos, que tem que conferir tudo antes de começar: verificar o fechamento da cadeirinha, o nó do encordoamento, a montagem da parada e do sistema de segurança...
Não só verifico tudo, mas tenho o costume de pedir para o meu companheiro verificar a minha cadeirinha e o nó de encordoamento. E isso deixa até perplexas as pessoas que me conhecem pouco. Eles me falam: “Ei, Makoto, você está de sacanagem? Como assim verificar a sua cadeirinha e o nó?”. Muitas vezes é difícil fazer as pessoas entenderem que é apenas um hábito para zelar pela segurança.
Mas isso é desnecessário quando se está com um companheiro consistente, certo? Conectei a corda no Gri-Gri, preparei-me e esperei que o Alê calçasse a sapatilha. Tudo finalizado e ele me perguntou: “Você está pronto, Makoto?”. Respondi afirmativamente e disse que ele podia voar parede acima. A resposta que obtive foi: “Makoto, isso para mim não é segurança”.
O Gri-Gri estava corretamente montado, conectado a um mosquetão bem travadinho e tudo mais. Mas o aparelho de segurança estava preso no mosquetão que estava na alça do carregador de equipamento da minha cadeirinha, não no belay loop.
Felizmente o Alê tinha o hábito de conferir e eu escapei de fazer uma grande cagada. É certo que, assim que começasse a dar segurança, eu perceberia o problema, mas ainda assim é fato que já tinha cometido um erro que poderia ter resultado num acidente com conseqüências mais graves. Hoje eu checo tudo e peço para que os meus companheiros façam o mesmo. Quem sabe dessa forma eu consiga viver mais e com a consciência tranqüila.
Independentemente do tipo de escalada que você pratica, o grau de segurança não é proporcional à experiência. Isso não ocorre de uma forma absoluta, pois existem pessoas que conseguem incorporar as técnicas e conceitos mais facilmente do que as outras. Mas pode-se dizer que o processo de aprendizado nos esportes de escalada estende-se pela vida. Não é muito comum encontrarmos alguém com menos de um ano de prática que possa ser considerado realmente consistente. Uma pessoa leva, em geral, anos até poder ser considerada um escalador completo em todos os fundamentos.
Este é um ponto muito importante, pois em muitos casos uma pessoa começa a escalar e num período relativamente curto está subindo vias tecnicamente muito difíceis. Existem pessoas que com menos de seis meses de prática já guiam vias de oitavo grau.
Temos o mau costume de chamar as pessoas que escalam vias difíceis de bons escaladores. No entanto, um escalador que conseguiu atingir um grau elevado de aperfeiçoamento em aptidão técnica e física de escalada nem sempre atingiu o mesmo grau de desenvolvimento em termos de fundamentos. Por outro lado, existem escaladores que não escalam vias tão difíceis, mas são conscienciosos e conseqüentemente muito consistentes - qual dos dois é o melhor escalador?
Então, é necessário prestar muita atenção e ter muita concentração na hora de praticar esse tipo de esporte, tanto do ponto de vista do escalador quanto do segurador. Procure evitar escalar com pessoas dispersivas e desatentas. Infelizmente, existem vários casos em que a falha do segurador acabou acarretando acidentes.
Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082 |