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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Grampos e outros tipos de proteções fixas
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Os materiais de proteção de caráter permanente foram no Brasil convencionalmente chamados de grampos por muito tempo. Usou-se muito no país, peças de fabricação artesanal, manufaturados com tarugos de ferro de 1/2 polegada de diâmetro (existem em menor escala materiais de 3/8 e 1/4) e em forma da letra P. Esses materiais ficam cravados na rocha por compressão num buraco previamente aberto por brocas ou talhadeiras.

No entanto, a grande dimenção desse material tem criado um efeito visualmente negativo nas paisagens de montanha, além do risco de se bater nela nos casos de queda. Isso tem feito com que os escaladores busquem cada vez mais, a exemplo do que acontece noutros países, tipos de materiais mais seguros e menos feios na natureza como chapeletas (hangers) acoplados em parabolts ou coisas semelhantes.

Grampeação com grampo de 1/2 polegada

Houve também o uso de um material conhecido como Cheville auto-perfurante em várias áreas de escalada, inclusive nos países da Europa. Esse material é constituído por um grampo dentado que, conectado em um batedor, serve ele próprio de broca para abrir o buraco na pedra. Então a sua ponta é expandida com um cone e a chapeleta fixa com um parafuso de 8 ou 10 mm.

O que se verificou com esses materiais é o problema da eletrólise, que corroe as partes com o tempo. Esse processo ocorre basicamente devido ao acidez da água que escorre pela parede depois da chuva. Não que a chuva em si seja ácida, mas a dissolução da rocha e o resíduo orgânico das plantas, musgos e líquens são suficientes para que, ao longo dos anos danifiquem esse tipo de material.

O processo é simples: se dois tipos de metais diferentes (ou com acabamento diferentes, como por exemplo bicromatizado e galvanizado) estiverem em contato na presença de acidez, a corrosão por eletrólise acontecerá. Nem mesmo o aço inox consegue escapar dessa regra.

Uma vez constatado isso o uso de chevilles para serem usados como proteção fixa para escalada foi interrompido. Mesmo para uso em cavernas (calcáreo, portanto uma rocha básica que via de regra não teria esse problema) a aprovação ficou restrita para materiais com rosca de 10mm.

Para se evitar o problema da eletrólise, as normas atuais aprova apenas o emprego de parabolt de inox de 10mm em conjunto com chapeleta e porca também de inox. Fora esse tipo de material os únicos aprovados são grampos em peça única colados no furo por um adesivo epoxi (como sicadur).

No Brasil essas normas estão sendo ignorados e tudo indica que assim vai ficar por muito tempo. Ainda o emprego dos velhos grampos em P é predominante no nosso meio. Assim sendo, é bom que os escaladores estejam preparados para esse tipo de proteção.

Os grampos em P têm se mostrado fortes. O problema maior está na confiabilidade, primeiro do processo de fabricação e, segundo da abilidade da pessoa que instalou. Já houve casos em que, devido a solda mal feita, o olhal simplesmente se soltou. Também houve casos em que, por ser mau batido, o grampo saiu com um esforço mínimo do tipo umas puxadinhas. O uso de epoxi poderia evitar pelo menos as ocorrencias do segundo caso.

Mas já que a regra é o grampo P, todos os grampos em P, quando costurados, deve-se virar o mosquetão em meia volta para minimizar o risco de que se pule fora acidentalmente. Todos os mosquetões assimétricos também devem ser invertidos, não inporta o tipo de proteção (chapeletas, pitons, etc).

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