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Muita gente, mesmo instrutores de cursos de escalada toma como regra fundamental a comunicação verbal na parede.
De fato pelo menos nos casos ideais é bom que haja a comunicação, principalmente quando o guia e o participante estão nas paradas distintas. Isso evitaria situações estranhas como o participante soltar a corda do guia sem que aquele esteja ancorado ou, participante começar a escalar antes da montagem do sistema de segurança por parte do guia.
Mas a realidade de montanha é muito diferente daquela encontrada nos ambientes de escalada esportiva. É freqüente a perda de contato visual e, dependendo das situações, a comunicaçãoverbal também torna-se impossível.
Isso ocorre, por vezes, simplesmente por angulação (geometria da parede). No entanto, em condições de vento, o problema pode tornar-se muito freqüente. Por isso pessoas acostumadas a escalar em montanha, muitas vezes deixam de se comunicarem por palavras. As frases, especialmente as longas, tornam-se incompreensíveis em determinadas situações.
Os escaladores combinam sinais de antemão que normalmente consiste em um grito curto para afirmativa e dois gritos curtos para a negativa.
Por exemplo: Assim que o guia atingir o ponto de parada e fizer a auto-fixação, dá um grito. O segurador desfaz a segurança, libera a corda e dá um grito. O guia recolhe a corda, monta o sistema de segurança do participante e dá um grito. O segurador, antes de começar a escalar também dá um grito. Se o guia quiser pedir para o participante esperar, dá dois gritos e assim por adiante.
Mas mais do que isso existe um ponto que deve ser o senso comum. No Brasil isso não têm sido levado muito a sério, mas quando o guia terminou de recolher a corda, subentende-se que a segurança do participante será imediatamente montada e posta em ação.
Isso significa que, para o participante, assim que a corda acabar, deve-se dar no máximo um tempinho para a montagem do sistema e sair escalando. Esse procedimento otimiza a escalada em situações em que sequer os gritos não são audíveis.
Isso tudo pode parecer um procedimento perigoso, principalmente para os menos experientes. Mas uma ação coordenada, uma vez praticada por pessoas que tenham experiência (convém praticar esse tipo de procedimento nos campo-escolas onde pode-se ter o controle absoluto da situação) não têm nada de improvisação. Perigoso é ficar marcando bobeira ou perdendo tempo na parede, com eventual risco de ser apanhado por um mau tempo ou anoitecimento, por simples falta de comunicação verbal.
Apenas salientando, considerando-se isso como uma regra, o guia jamais deve recolher a corda se não estiver pronto para dar segurança ao participante.
Apenas para se certificar, é bom que os escaladores combinem esse tipo de procedimento antes da escalada, principalmente quando se está com alguém com quem nunca antes escalou.
E se acaso um dia estiver numa situação dessas, a corda acabar e sair escalando, certifique-se se o segurador está recolhendo a corda. Se formar uma barriga de 2 metros, dê alguns trancos na corda para ver se acorda o guia e, aguarde o recolhimento antes de prosseguir.
E por falar em trancos, existem pessoas que combinam códigos de trancos na corda para comunicação. Esse sistema só funciona em vias que as costuras de proteção não apresenta muita angulação. Nas enfiadas em que o atrito de arrasto é muito grande, a energia dos trancos é simplesmente dissipada ao longo da corda.
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