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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Eficiência e qualidade das proteções
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Quando se escala uma via grampeada, não se tem muita opção quanto aos pontos de proteção. Tem-se que utilizar os materiais de caráter permanente instalados na superfície rochosa para garantir a segurança da escalada. Mesmo assim, ainda se pode trabalhar esses pontos para otimizar a segurança.

Nesse sentido uma pessoa que guia uma via deve ter em mente que nem sempre o sistema de costuras de proteção que minimiza o tamanho potencial da queda é o mais eficiente.

Deve-se pensar principalmente na potencialidade da queda do trecho a ser escalado, influência que um determinado ponto de costura sofre na medida da progressão e, na segurança do participante.
Numa via que a grampeação ou peças de proteção alinham em uma única reta, sem dúvida pode se empregar costuras curtos a fim de minimizar o tamanho potencial da queda em todos os trechos.

No entanto, numa via que faz muitas curvas, costuras curtas provocarão angulação na corda, criando com isso um atrito de arrasto muito grande na medida que segue a progressão. Esse arrasto pode ser tão grande que no final da enfiada a carga pode equivaler ao peso de 10 ou 20 Kg. Não é fácil subir com uma sobrecarga dessa ordem. Na maioria das vezes acaba sendo mais seguro a utilização de fitas mais longas que, apesar de aumentar um pouquinho o tamanho potencial da queda de cada trecho, diminuem a angulação e reduzem o atrito. 

É importante lembrar que nem sempre o conquistador da via consegue ser competente como grampeador. Muitas vias possuem grampos mal posicionados. É importante que os escaladores, principalmente os guias, esteja atento para minimizar os riscos na hora da queda.

Uma outra observação cabe nos finais da travessia. Caso haja um grampo no ponto onde a via volta a subir (ou próximo dele) e, se o guia estiver dominando as dificuldades da seqüência, nem sempre é bom costurar. Isso porque, caso costure, o participante terá que escalar esse trecho com a corda de segurança lateral, isto é, a potencialidade da queda será em pêndulo.

O fato de não costurar o grampo do ponto de inflexão da via faz com que a corda tenda a vertical (ou pelo menos diagonal), minimizando o risco do participante.

Quando se está utilizando materiais móveis, o guia deve prestar atenção não apenas na colocação em si, mas também no sentido dos esforços, tanto na queda, quanto na progressão.

Um material mal instalado pode sair da fenda com o simples balanço da corda provocado pelo guia na medida que progride na via. Também deve-se levar em consideração o problema já citado de angulação, assim como da geometria de instalação.

A instalação de materiais móveis devem, nos casos ideais, ser executado em um posicionamento confortável. Sempre é bom instalar uma peça consistente antes das sequências difíceis. Nunca é bom tentar instalar peças durante a execução de sequências chaves pois o desgaste físico será sempre maior.

Nas vias em que as possibilidades de colocação de proteções são pobres ou não consistentes deve-se instalar materiais sempre que isso for possível. Nas localidades como Red Rocks, é comum vias de escalada livre que necessite de 2 jogos de microstoppers para proteção. Obviamente essas peças não foram feitas para segurar cargas muito elevadas, mas ainda assim servem para dissipar a energia da queda.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082