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Ainda se falando de segurança, a capacidade técnica-atlética assim como o domínio mental (psicológico) da situação está também diretamente ligado a segurança.
Um escalador confortavelmente situado dentro de uma determinada graduação técnica consegue ser mais eficiente do que aquele que está no limite.
Por outro lado, considerando-se dois escaladores que possuem características técnicas e físicas (atléticas) absolutamente iguais escalando uma mesma via, aquele que consegue manter melhor equilíbrio psicológico consegue render mais.
A capacidade técnica, o controle e a segurança resultante da auto-confiança é o fruto da prática. A experiência é o único caminho para conseguir a técnica e a consistência. Obviamente existem pessoas que possuem mais facilidade do que os outros.
Da mesma forma, a capacidade atlética ou condicionamento físico é o fruto do treinamento. Aqui também existem pessoas que desenvolvem melhor do que os outros, mesmo sob tipos de programas de treinamentos semelhantes.
A capacidade mental é um ponto muito complexo. Envolve fatores subjetivos como o medo e a insegurança. A experiência ajuda, assim como ajuda o auto-conhecimento. Mas nem sempre isso é suficiente.
Um escalador que sabe o que exatamente pode fazer e, talvez até mais do que isso, o que exatamente não pode fazer com o seu organismo têm tendência de melhor segurar a peteca na hora da verdade.
No entanto, por mais que pratique, existem escaladores que não gostam de guiar. Isso é uma característica particular de cada um. O mais importante nesse processo todo é conhecer as limitações própria e aceita-las. Você pode lutar contra elas, mas deve-se sempre tomar cuidado para não cometer abusos. Uma via ou uma montanha é o campo de prova do escalador, não é campo de testes. Uma pessoa que queira se testar deve elaborar programas de testes com sistemas de monitoramento, de preferência num campo-escolas.
Rapel é a técnica pelo qual se executa a descida deslizando pela corda. Para se poder controlar a velocidade emprega-se equipamentos que sirvam de freios como oito, ATC e outros aparelhos de segurança já descritos. Existe também sistema clássico montado com mosquetões (six carabiners brake), além do rapel clássico.
Esta prática aparentemente simples esconde riscos, sendo que o fato de subestimar o perigo é o ponto mais crítico. Muitos acidentes ocorreram resultante de erros de julgamento e de procedimento no decorrer da prática de rapel. Voltaremos a falar disso mais adiante, mas se considerarmos um único procedimento que mais vítima faz nos esportes de escalada, esse procedimento é sem dúvida o rapel.
O uso de uma fita ou solteira auto-seguro é obrigatório quando se executa uma seqüência de rapéis. O escalador deve fixar-se no ponto de ancoragem (descida) a cada lance executado. O auto-seguro deve estar a mão e sempre pronto para evitar acidentes.
Uma pessoa que domina a técnica de raprel consegue descer quase que em todas as condições. A limitação está na descida em diagonal, especialmente nas paredes muito verticais e negativas, onde as pontas de corda encontram-se livres no ar.
Considerando-se o aspecto técnico, o rapel deve ser executado devagar para não causar o superaquecimento do freio com o atrito. A velocidade deve ser constante para que um mesmo ponto da corda não fique em contato por muito tempo com o equipamento aquecido e, suave (sem trancos) para evitar que a corda fique raspando na superfície, arestas ou quinas de pedra.
Durante a descida o escalador deve jogar o corpo ligeiramente para trás. Isso faz com que o peso fique carregado no conjunto corda/freio, melhorando com isso a controlabilidade do sistema. Deve também manter as pernas abertas para formar uma boa base de equilíbrio, evitando assim ser arrastado ou cair de lado (principalmente nas descidas diagonais).
No entanto pode haver situações nas quais há a necessidade de se fazer descidas rápidas. Isso ocorre, por exemplo, quando está atrasado em relação ao tempo planejado e se corre o risco de anoitecimento ou ser apanhado por uma tempestade. Nessas horas, o escalador deve conhecer muito bem as limitações e o ponto de máximo rendimento velocidade/segurança (risco).
Deve-se procurar descer verticalmente sempre que isso for viável, pois evita o problema do arrasto lateral. Quando o objetivo encontra-se numa linha diagonal, deve-se avaliar a forma mais segura de lá chegar. Há tanto a possibilidade de estabelecer uma linha reta em diagonal, quanto descer verticalmente e executar um pêndulo até o ponto de parada.
Nas paredes positivas em que o escalador tem atrito nos pés, as descidas diagonais acostumam não ter problemas. No entanto, quando a tendência vertical torna-se forte, o pêndulo é muitas vezes a forma mais segura de se chegar lá.
Cuidado extra devem tomar pessoas que possuem cabelos longos, assim como aqueles que estão vestindo roupas folgada (o suficiente para encostar no freio) e de tecidos macios como camisetas e moletons. É relativamente comum roupas e cabelos serem arrastados para dentro do freio juntamente com a corda.
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