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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Equipamentos de rapel
Autor: Luiz Makoto Ishibe

1- Os Oitos: Como já foi mencionado, este é um grupo de equipamentos que está muito longe do ideal para uso em montanhismo. O problema maior deste grupo consiste na capacidade imbatível de torcer a corda, o que acaba empelotando a alma e descolando a capa.

Em termos de segurança preventiva no rapel, a única forma de garantia está num nó grande que não passe por dentro da argola maior. Considerando-se o tamanho da argola, o nó teria que ser dado com as duas pontas juntas. Mas se isso fizer elas poderão torcer tão horrivelmente uma sobre a outra que fica praticamente impossível descer os últimos metros.

Para se ministrar segurança para um companheiro, o ideal seria utiliza-lo como uma placa, passando a corda dobrada pela argola menor e clipando com um mosquetão de trava. Nem todos os modelos permitem isso, principalmente com a corda dupla.

É relativamente comum as pessoas utilizarem o oito com a corda passando na argola maior e clipado-a no mesmo mosquetão que está preso o aparelho. Esta forma não é recomendada por nenhum dos fabricantes. Os testes têm mostrado problemas de alavanca sobre o gatilho do mosquetão (que pode até quebrar), além do derretimento da capa da corda.

2- Atrito linear: Ouve tentativa de diferentes fabricantes em consagrar um freio de atrito linear. O sucesso chegou com o ATC, da Black Diamond e no seu rastro vieram muitos outros, etc.

Compactos, leves e eficientes em termos gerais é o melhor grupo de equipamentos para se ministrar segurança para escalada. No entanto não é o mais suave dentre os aparatos para o rapel, principalmente quando se está utilizando uma corda velha e inchada.

Eles possuem um ponto muito positivo: Praticamente todo o trabalho de dissipação de energia fica no mosquetão, que pode ser até duplo. Um outro ponto forte está na segurança no rapel. Por se tratar de equipamentos com furos de dimensão menor, basta um nó simples na extremidade de cada corda (independentemente) para que se garanta que as pontas não escapem do sistema. E por se tratar de sistemas de atrito linear (e não torcional), causa muito menos danos às cordas do que os oitos.

A grande diferencial entre os produtos deste grupo está no acabamento e no sistema de cabo de retenção. Os modelos com a superfície interna mais áspera tendem a estragar mais a capa da corda e os que possuem cordins de poliéster (nylon) como retentor não duram muito. O cordim derrete na primeira vez que for sugado entre as cordas e o mosquetão.

3- As Placas: Devem existir no mercado mais de 20 modelos de diferentes fabricantes, mas de fato podemos dizer que são apenas dois: Os com mola e os sem mola.

Os modelos com mola são mais suaves, tanto para segurança quanto para rapel. Mas a mola enrosca em tudo quanto é coisa. Um outro problema é a dificuldade de manter a corda travada devido à ação da mola que mantém a placa afastada do mosquetão. Isso é especialmente ruim nas escaladas esportiva e artificial.

Os sem mola travam facilmente quando colam no mosquetão e isso também é problema para liberação de corda ou rapel.

4- Outros: Existem aparelhos como Classic e Stop da PETZL, Rapel Racks, Belay Slave da Yates, Raptor da Wild Country e outros.

O Classic, Stop e os Racks foram desenvolvidos apenas para rapel de corda simples e atuam bem a sua função. São equipamentos padrões para uso nas cavernas, conjugados com corda estática.

O Belay Slave, da Yates é um equipamento surpreendente. Preparado para dois modos diferentes de rapel e três modos de segurança, peca por ser muito ruim para segurança em corda dupla. Não se trata de um material para principiantes, especialmente porque o melhor modo de rapel é o derivado do clássico six carabiners brake. Se tivesse sido patenteado por uma companhia grande, provavelmente estaria entre os mais populares.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082