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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Imprevistos
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Na prática das atividades ligadas ao montanhismo existem regras de procedimento padrão que visa uniformizar as normas de condutas tecnicas, logísticas, ambientais, etc.

Muitas dessas regras visa a otimização de segurança, pelo menos em termos técnicos. Como já foi descrito, a segurança ou o risco não está na atividade em si, mas na forma como ela é praticada.

Montagem do sistema six-carabiners-break para rapel   O bom exemplo disso é a regra de comunicação na escalada (ou em rapel) que a princípio manda que o guia e o participante conversem entre si. Mas na impossibilidade de contato verbal e visual, quando o guia terminar de recolher a corda (ou a corda simplesmente acabar), o participante deve sair escalando. O guia que recolheu a corda têm a obrigação de, imediatamente, armar a segurança do companheiro.

Assim sendo, essas atividades (principalmente a escalada), ainda que existam as regras padrões, não são controladas de forma rígida. Exige que o praticante tenha o bom senso de optar por melhor.
Obviamente as escolhas nem sempre são simples. Muitas vezes o grau de astúcia e a experiência são fundamentais para a escolha da correta ação.

Os problemas mais frequentes ligados a prática de escalada, pelo menos no Brasil, são anoitecimento e mau tempo. Quando se está em regiões serranas ou escalando em locais afastados, sempre é uma boa idéia carregar a lanterna frontal e um agasalho leve.

Nas escaladas que envolvem caminhada pesada e/ou nas vias longas e extenuantes (ou paredes muito quentes) é sempre bom ter um suprimento de água e, se possível, líquido isotônico (ou salino-energético).

Quando se está escalando uma via e o tempo de planejado de permanência foi violado, é aconselhável tomar todas as medidas possíveis que aumente a agilidade e a rapidez e que não comprometa a segurança. O conceito continua válido tanto para a descida quanto para a subida. O melhor escalador deve tomar a ponta e ditar o ritmo. Para isso não tem mais essa de não pegar ou pisar no grampo e coisas assim. Deve-se utilizar todos os recursos.

As regras básicas de descida em rapel também devem ser revistas. Dentro das possibilidades do escalador, a velocidade deve ser priorizada.

Esses procedimentos valem também para casos em que o tempo está para virar. Ser apanhado por tempestade no meio da parede nunca é uma boa idéia, especialmente se for tempestade elétrica.
Um problema menos comum mas muito sério são as quedas de pedra. Normalmente ocorrem uma chuva de areia antes de começar a cair pedras, mas não é uma regra. De qualquer modo, se estiver na parede e começar a cair areia ou pedras, fixe-se o mais rápido possível (se estiver dando segurança deve travar a corda assim que o segurador fixar-se a qualquer peça). Esse procedimento é importante pois uma bomba pode facilmente cortar a corda.

Também deve proteger a cabeça, com os braços ou, se possível com a mochila e braços. Nunca deve olhar para cima, pois sempre existe a possibilidade de ser atingido na cara.

Assim que a situação der uma brecha, deve checar o estado da corda e cair fora da linha de fogo.
Em fim, tantos são as situações especiais que podem ocorrer nas montanhas que seria impossível de descrever e discutir todas. É muito importante que o praticante desse tipo de atividade tenha a capacidade de raciocínio e decisão rápida sob pressão, assim como bom senso para não optar pelo pior.

Nunca um escalador deve estabelecer regras rígidas de procedimento. Aliás, talvez um dos pontos mais atraentes desse tipo de atividade seja exatamente a liberdade que temos em criar, aperfeiçoar e quebrar barreiras sem sermos limitados.

Sempre é possível sermos mais eficientes. Nunca se deve aceitar ou admitir um sistema ou procedimento como o melhor. Deve-se acima de tudo considerar a situação que envolve o ambiente e encontrar soluções adequadas para cada caso. Essa liberdade é concedida aos praticantes desse tipo de esporte. Resta termos a ousadia de acreditarmos que sempre podemos nos aperfeiçoar.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082