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Assunto: Escalada em Rocha
Título: Rapel clássico
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Rapel clássico é um procedimento pelo qual se necessita apenas de corda para executar a descida. Considerando-se a época atual, pode se dizer que se passa de quase-uma-estupidez, sendo que não tem sentido uma pessoa estar na situação de necessidade desse tipo de técnica levando corda, mas sem a cadeirinha e conjunto de descida.

Mesmo que tenha perdido o freio (deixou cair?), ainda assim sempre temos mosquetões para se montar um six-carabiners brake.

Muitos cursos básicos no Brasil ainda mantém o rapel clássico como tópico obrigatório, mas na minha opinião é mais um anacronismo que se verifica no esporte nacional.

Eu particularmente não vejo a necessidade de se aprender esse tipo de técnica. Principalmente as pessoas menos experientes não devem aventurar com essas coisas.

Afinal, um esporte como o montanhismo deve ser praticado dentro dos padrões atuais. É isso que possibilita a otimização de todos os sistemas que determinam o grau da segurança, assim como das possibilidades técnicas.   

Montagem do sistema six-carabiners-break para descida em rapel

No entanto, como se trata de termo que se ouve com frequência, incluo nessa apostila como uma curiosidade histórica. Os interessados podem experimentar em campo-escolas. Com uma boa técnica se é possível de descer mesmo os grandes negativos. No entanto, os interessados devem ir devagar, aumentando a pendência da parede muito gradualmente.

Tecnicamente falando, para se executar esse tipo de descida, o escalador deve passar a corda no meio das pernas, traze-la para frente laçando uma coxa e joga-la por cima do ombro oposto. Feito isso segura-se a corda que desce pelas costas com a mão do mesmo lado da coxa laçada (inverso ao ombro).

A descida é controlada com o atrito da corda com o corpo, especialmente a região da nádega e do ombro/pescoço. Deve-se certificar de que está com uma BOA proteção no conjunto ombro/pescoço. Se acaso não estiver, pode terminar a descida com uma bela queimadura por atrito de corda.

Especial cuidado deve-se tomar com as cordas molhadas, pois apesar de não ter problema de atrito (não fica mais lisa como muitos pensam), a sujeira (areia, principalmente) que gruda na corda pode estraçalhar a roupa com uma facilidade inclível.

Montagem e execução do rapel clássico
corda passa por meio das pernas e é jogada frontalmente sobre o ombro oposto.
corda que desce pelas costas é segurada para controle da descida.
traseiro e os ombros devem estar bem protegidos durante a descida.

A corda passa por meio das pernas e é jogada frontalmente sobre o ombro oposto.
A corda que desce pelas costas é segurada para controle da descida.
O traseiro e os ombros devem estar bem protegidos durante a descida.

Nem é preciso avisar os rapazes que deve-se ajeitar muito bem a(s) corda(s) quando passa-la por meio das pernas. Vale ainda reforçar que é uma prática de alto risco, pois qualquer erro pode resultar em severos ferimentos ou mesmo a morte. Qualquer pessoa que se aventure a tentar essa técnica, deve faze-lo com muita conciência e, se possível assistido por uma corda paralela de segurança atada na cadeirinha.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082