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Tecnologia dos Tecidos e Vestimentas |
O montanhismo clássico em ambiente de geleira e em encostas nevadas não é uma atividade que pode ser praticada no Brasil, mas foi nesse tipo de terreno que nasceram o montanhismo e o alpinismo.
Geleiras e encostas nevadas são ambientes com potencialidade de risco normalmente superior àquela encontrada nos terrenos onde se desenvolvem atividades em substratos predominantemente constituídos de rocha e/ou solo. Em condições úmidas, existem trilhas de terra que viram lamaçais e também oferecem perigo, mas, mesmo assim, nas geleiras o risco de deparar-se com gretas e avalanches é potencialmente mais letal.
Escalar gelo vertical é, em geral, uma atividade menos técnica que escalar rocha. No entanto, é mais atlética e demorada. O terreno tem que ser preparado e isso toma mais tempo do que simplesmente segurar ou pisar uma agarra. O manejo de equipamentos e a destreza ficam comprometidos com o uso de luvas, o que também acarreta um tempo maior para operacionalizar os procedimentos.
A escalada em gelo pode tornar-se mais técnica quando a operação para colocação do bico da piqueta apresenta complexidade. Uma película de 2cm de gelo sobre uma parede rochosa ligeiramente negativa pode ser um pesadelo. Além de ser tecnicamente difícil, pode ser extremamente complicado instalar as proteções.
O ambiente gelado exige que criemos artifícios para nos protegermos do frio e de outros elementos naturais. Esses artifícios nos deixam invariavelmente mais pesados e menos ágeis. As formas de dispor dos materiais e otimizar os recursos são fundamentais para ficarmos tecnicamente aptos a desenvolver atividades esportivas no mundo abaixo de zero grau.
Nesse mundo dos mais adaptados, a qualidade individual de um ou de outro equipamento nada quer dizer. Um piolet ou um último modelo de crampon na Europa ou Estados Unidos não tem sentido se não for adequado ao uso que se quer fazer dele, muito menos se você não dominá-lo tecnicamente.
Os escaladores mais fortes e organizados terão mais chances de sobreviver e maiores possibilidades de atingir o cume. Eles serão mais velozes, correrão menos riscos, enfim, serão mais eficientes (entenda-se: também se divertirão mais).
O autoconhecimento e a familiaridade que se adquire com cada um desses sistemas é um processo de aprendizado contínuo. Quanto mais difíceis forem as situações, mais proveito pode-se tirar das experiências.
Temos repetido em diferentes ocasiões: qualquer equipamento é bom enquanto você não for melhor do que ele, ou se estiver desenvolvendo atividades que tecnicamente não exijam mais que a capacidade dele.
Mas também é certo que, ao adquirir um equipamento, o usuário deve procurar saber para que fim ele foi projetado e ter claro em mente quando poderá utilizá-lo. A Ferrari pode ser um carrão, mas não serve para cruzar o deserto de Saara. Da mesma forma, o uso indevido de materiais pode, muitas vezes, transformar-se numa estupidez ou até mesmo transformar-se em causa de acidentes.
A cultura de consumo de moda que nós, brasileiros, temos pode ser perigosa nesse sentido - principalmente em relação a sistemas e equipamentos de montanha. Nesse mercado, devido à falta generalizada de informações, as pessoas tendem a pegar um catálogo e sair escolhendo este ou aquele item porque a cor ou o formato é mais atraente, ou coisas assim. Pouca gente, de fato, questiona a real necessidade de ter o equipamento para desenvolver sua atividade ou o propósito o para qual ele foi desenhado.
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