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Tecnologia dos Tecidos e Vestimentas |
Piolets: ao adquirir esse material de escalada, existem vários aspectos que devem ser considerados. A aquisição de modelos técnicos, principalmente, deve ser bem avaliada, pois eles só funcionam em par e o custo total do conjunto pode ser bem elevado.
As situações de uso de piolets podem ser divididas em: vias clássicas, técnica em neve, técnica em gelo e ambientes mistos.
Vias clássicas
O uso de piolet como apoio em progressão em cruzamentos de glaciares e rampas de encostas tem sido substituído pelos pólos de esqui. No entanto, há que se ter sempre um equipamento à mão para poder utilizar a técnica de self arrest caso você caia numa rampa ou o seu companheiro afunde numa greta e você seja arrastado.
Os equipamentos de bico clássico funcionam bem. O comprimento do cabo dos piolets clássicos costuma ser longo para que sejam utilizados como apoio. Caso esteja usando pólos de esqui, o piolet preso à cintura para self arrest pode ter cabo curto.
Técnica em neve
A neve compactada em encostas - mesmo em ambientes quase verticais -possui menos consistência que o gelo puro. Muitas vezes os snargs (pitons de gelo) e screws (parafusos) não são confiáveis para a ancoragem.
Nesse caso, é bom utilizar piolets de cabo longo, que podem ser cravados na superfície para montagem das paradas.
Nas paredes da Cordillera Blanca - nem sempre consistentes - eu utilizaria piolet de 65 cm mesmo para escaladas técnicas.
Os bicos reversos funcionam bem nos lances técnicos, mas se a consistência da neve não for boa, prefiro os bicos alpinos - mais longos que os clássicos - para buscar alguma superfície mais dura nos pontos mais profundos.
Piolets tenécnicos de fibra de carbono. (a) piolet com martelo. (b) piolet com pá. Note que o alcance do bico em relação ao cabo de (a) é maior do que (b) em função da geometria.
Detalhe piolet com martelo. Alguns modelos têm desenhos de martelo voltados para escalada mista e alpina que podem ser travados em fendas como se fossem nuts.
Detalhe piolet com pá. Existem modelos de pás que podem ser introduzidos em fendas para apoio em entalamentos.
Técnica em gelo
Considerando condições ideais (plastic ice) em ambientes verticais, não tenho dúvida: bico reverso em equipamentos de cabo curvo (bent shaft) com 50 cm ou, eventualmente, 45 cm de comprimento (eu tenho 175 cm de altura). Na realidade, ao contrário do que se acreditava no passado, o comprimento da piqueta não precisa guardar uma proporcionalidade com a dimensão corporal. Muitos fabricantes hoje produzem apenas equipamentos de 50cm.
Em gelo poroso (honey combed ice), os bicos longos e que possibilitam melhor hooking são interessantes. Também são interessantes os equipamentos de cabo um pouco mais longo para atingir os locais com gelo de melhor qualidade.
Outro ponto importante diz respeito à configuração da cabeça do equipamento. É conveniente que o bico possua um ponto na proximidade da inserção, que permita ser martelado. Se você chegar ao final da enfiada com proteção esgotada, ainda resta a opção de pegar o martelo e cravar o bico do piolet ao máximo para fazer uma parada tão forte quanto um ice spectre.
Para escaladas longas ou muito técnicas prefiro equipamentos com cabos de composite a cabos de alumínio. São mais leves e transmitem menos vibração quando se trabalha em superfícies duras. Conseqüentemente, quebram menos gelo e cansam menos.
Ambientes mistos
Verglas, rochas cobertas de rime ice ou mesmo rocha pura em seqüências alternadas com gelo e neve. Escaladas alpinas exigem técnica e sensibilidade apurada daqueles que aceitam o desafio.
Os bicos alpinos com liberação neutra, apesar de não serem tão técnicos como os reversos, são mais eficientes para ser enroscados nas fendas em rocha.
Outros pontos importantes são o formato e o posicionamento da cabeça do martelo. Colocando-o em pé, a cabeça deve ser o ponto mais alto. Caso não seja, você poderá ter dificuldade em instalar pitons em diedros. As cabeças quadradas funcionam melhor que as de qualquer outro formato.
A regra em dry-tooling já foi, até o começo dos anos 90, o uso dos equipamentos de cabo reto. Acreditava-se que eram melhores para ser introduzidos nas fendas, mas hoje é muito comum o uso de cabo curvo em todos os terrenos. Caso esteja utilizando bicos reversos, o clearence - espaço entre a ponta do bico e o cabo, no ponto perpendicular ao cabo - deve ser grande o suficiente para poder se enroscar em frisos, lacas e platôs. Para seqüências em agarrinhas, funcionam melhor os bicos de tendência neutra.
Importante: os equipamentos devem ter furos grandes e bem posicionados tanto na cabeça quanto na base do punho. Existem modelos que não aceitam mosquetões. Um saco!!
Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082 |