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Tecnologia dos Tecidos e Vestimentas |
Seja sincero, há uma coisa que o intriga: nas vezes em que você participou de caminhadas, as pessoas que você acreditava serem mais fracas tinham um rendimento superior ao seu. Você até deu uma pegadinha na mochila deles para verificar o peso que tinham, mas não eram mais leves do que a sua. Onde está a diferença então?
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Foto: Alice Shintani. Caminhada de aproximação ao monte Shivling, Índia. |
Talvez a resposta se resuma em duas simples palavras: técnica e eficiência.
E o que vem a ser isso? É um conjunto de fatores que influenciam o rendimento da atividade. Considerando-se o exemplo de dois pilotos automobilísticos que possuem carros iguais com os mesmos ajustes, será mais eficiente aquele que possuir a melhor técnica. Da mesma forma, o rendimento do excursionista depende da sua técnica.
A técnica no excursionismo consiste em diferentes formas de executar esforços físicos com o mínimo gasto de energia. Quanto mais complexa ou difícil for a atividade, mais importante será esse fator.
Voltando um pouco atrás, mesmo a mochila do seu amigo - que na balança tinha peso igual ou até superior ao da sua - quando posta nas costas não dava a impressão de ser mais leve do que a sua? Se você teve essa sensação, talvez a diferença seja apenas a forma com que a carga foi arrumada em seu interior. Uma mochila que tem o centro de gravidade próximo ao seu corpo pesa menos no ombro. Aquela que tem centro de gravidade baixo tem melhor equilíbrio e assim por diante.
Então, aí vão algumas dicas para melhorar a sua técnica:
1- Encontrar o ritmo próprio: deve-se procurar sempre caminhar no próprio ritmo. As pessoas mais fortes, e conseqüentemente mais rápidas, devem esperar os companheiros. Aqueles que forem mais lentos não devem forçar a passada para acompanhar os mais rápidos. Cada organismo está acostumado ao seu ritmo próprio, que normalmente é a velocidade de máximo aproveitamento.
2- Controlar as passadas: quando se está negociando uma subida com mochila nas costas, é comum acabarmos violando as passadas. Isso porque estamos acostumados a dobrar o joelho até uma certa altura para subirmos degraus de escadas e coisas semelhantes. Mesmo quando temos uma sobrecarga, pelo fato do parâmetro das passadas ser visual e sensitivo (quando se levanta um dos pés para a passada não sentimos a carga da mochila nele), temos a tendência de manter a mesma amplitude usada no cotidiano. Isso faz com que o quadríceps e outros músculos associados ao movimento de subida tenham que desenvolver esforços num nível ao qual não estamos acostumados, causando desgastes acima do necessário. Tendo isso em mente, sempre que estiver em aclive com sobrecarga, procure fazer a subida com a cabeça. Diminua a amplitude e aumente a freqüência de cada passada de forma que o deslocamento do seu corpo se dê de modo uniforme e não aos trancos. Um movimento constante e suave pode nos levar bem mais longe, bem mais rápido, melhor e com menos desgaste.
3- Evitar impactos: as descidas podem parecer o lado fácil da coisa, no entanto, são os trechos que mais forçam as articulações e os ligamentos. A cada passo dado, o choque do movimento é amortecido pelo conjunto tornozelo/joelho. Esse impacto será tanto maior quanto mais violentas forem as passadas e quanto mais pesada for a carga que se leva. O organismo não está acostumado a trabalhar com sobrecargas. Então, deve-se tomar especial cuidado para não desembestar nas descidas ou andar saltando de pedra em pedra. Sofrer uma contusão no meio da trilha não é nada agradável.
4- Distribuição de peso na mochila: quando se está armando a mochila, deve-se tomar cuidado para manter o centro de gravidade o mais próximo possível do corpo. Deve-se embalar todas as roupas e o saco de dormir em sacos plásticos para protegê-los da chuva. Não é uma boa idéia guardar objetos duros encostados no nylon da mochila, pois ele pode rasgar ou ser cortado com facilidade em caso de impacto.
Eu, particularmente, gosto de colocar o saco de dormir no fundo: primeiro, porque é um material que não precisa ser retirado durante o dia; segundo, porque forra o fundo. Então, passo a arrumar as coisas duras e pesadas encostadas no ventre da mochila (lado que fica em contato com as costas), tomando cuidado para não deixar nenhuma ponta que possa incomodar as costas - coloco em torno delas a toalha e roupas que não utilizaria no decorrer do dia.
Nas trilhas tecnicamente simples procuro manter o centro de gravidade alto para melhor conforto e nas trilhas difíceis mantenho baixo para melhorar o equilíbrio. Por fim, coloco agasalho e capa de chuva por cima para ter fácil acesso caso precise deles.
Os materiais como lanche do dia e equipamento fotográfico, eu procuro manter no bolso da tampa. A barraca, eu procuro carregar separadamente, isto é, prendo as varetas da estrutura por fora da mochila e o corpo de nylon eu guardo junto com as roupas. Somente nos casos em que estou muito carregado, levo a barraca inteira presa por fora da mochila. Nessas horas, particularmente, prefiro tê-la presa na parte alta ou nas laterais. O colchonete isolante, que é um material leve que não provoca deslocamento do centro de gravidade, prendo nas costas da mochila.
5- Reposição de água e suplemento salino-energético: no decurso da atividade, o organismo consome a reserva energética e perde os eletrólitos. Quanto menor a reserva energética, mais fraca se sente a pessoa. Quanto menos eletrólitos, pior o rendimento físico e orgânico. Assim, é interessante repor regularmente essas perdas através da ingestão de alimentos em pequenas quantidades. Pode ser algo como um chocolatinho agora, umas frutas secas daqui a uma hora e assim por diante. Também existem disponíveis no mercado produtos próprios para reposição de nutrientes em atividades esportivas.
6- Correto dimensionamento: procure sempre levantar as informações precisas do local para onde você está indo. Alie essas informações a sua experiência para elaborar um plano de atividade, assim como a escolha de materiais adequados para a prática naquelas condições particulares. Procure sempre estar leve, tomando cuidado para não exagerar nos cortes a ponto de comprometer a segurança. Não leve materiais desnecessários, a não ser que seu volume e o peso sejam tão insignificantes que não cheguem realmente a atrapalhar.
As pessoas mais fracas - principalmente quando inexperientes ? devem, sempre que possível, encontrar parceiros fortes que possam segurar a barra em relação ao transporte de materiais coletivos (barraca, fogareiro e estrutura de cozinha, etc) e da comida. Muita gente é ?orgulhosa? em relação a esse tipo de coisa, mas tenha sempre em mente que o excursionismo, a não ser nas atividades em solo, é um esporte coletivo. Além do mais, é sempre mais divertido para todos quando o grupo possui um rendimento uniforme. Se você for um desses que faz questão de carregar a sua parte do peso mesmo que tenha que ficar para trás, corre o risco de acabar virando o chato da turma.
Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082 |