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Os excursionistas, via de regra, são pessoas engajadas - em maior ou menor grau - com questões ambientais. São pessoas que gostam da natureza e, ainda que não conheçam o real valor da questão ambiental ou da importância da biodiversidade para a continuidade da vida sobre o planeta, simpatizam com a idéia da preservação ambiental.
A grande contradição de tudo isso está no fato de que, mesmo em locais em que virtualmente somente excursionistas iriam, ainda se nota a presença de lixo e outras marcas de agressão ao meio ambiente.
Considerando-se que o volume e o peso do lixo que geramos na trilha nunca é superior ao do material original que levamos conosco, não é tanto trabalho assim trazer tudo de volta para ser adequadamente descartado. Afinal, além do princípio ambientalista, da mesma forma que gostamos de apreciar a natureza como ela é, as outras pessoas também têm o direito de praticar atividades ligadas ao excursionismo em ambientes não degradados pelo lixo, pelo desmatamento, por erosões ou com outras marcas de agressão. Se nós cuidarmos bem do patrimônio natural, poderemos desfrutar melhor de todos os seus recursos, além de garantir sua preservação para os outros que virão.
A seguir, algumas dicas para o excursionismo de baixo impacto ambiental:
1- Andar sempre na trilha: isso pode parecer óbvio. No entanto, é muito comum as pessoas começarem a traçar linhas paralelas, principalmente em campo aberto. O problema em criar trilhas paralelas ou caminhar fora de trilhas já estabelecidas é causar desagregação da terra e, conseqüentemente, erosão. Nos locais onde não existam trilhas, recomenda-se que as pessoas não andem em fila indiana para evitar desagregação excessiva do solo.
- Andar suavemente e utilizar calçados de solado macio: as trilhas que recebem grande quantidade de excursionistas apresentam quase sempre o problema de erosão. O caminho acaba por apresentar sulcos que, conseqüentemente, correm o risco de se transformar em voçorocas nas estações chuvosas. Para minimizar esse processo é importante que os excursionistas não andem escorregando, chutando ou arrastando os pés nas trilhas. As botas de solado duro também são agressivas ao terreno. O uso de tênis convencional, trail runners ou botinhas de solado macio sempre ajuda na preservação da trilha.
3- Nunca abandonar lixo: como regra básica, nunca se deve abandonar lixo. Muita gente alega que papéis e produtos orgânicos são biodegradáveis. De fato o são, mas de qualquer forma não deixam de ser poluição, principalmente visual. Vamos tratar essa questão mais detalhadamente:
3.1- Lixo genérico: em locais de fácil acesso, a retirada de lixo é simples. Caso esteja em locais afastados ? por exemplo: fazendo uma longa travessia - o transporte do lixo pode ser muito desconfortável. Para minimizar os problemas, o excursionista deve separar o lixo orgânico do lixo seco. O lixo seco não é um real problema, apenas representa um pequeno volume dentro da mochila.
3.2- Lixo orgânico e chamados da natureza: para o transporte do lixo orgânico pode-se preparar um saco plástico reforçado que impeça vazamentos. No caso de produtos muito facilmente degradáveis (ex: cascas de frutas), estes podem ser enterrados em locais discretos, desde que isso não infrinja a norma de manejo local. Mesmo para isso, os excursionistas devem ser muito prudentes. Devemos lembrar que a regra é nunca deixar nada para trás. Um ponto mais complicado diz respeito às nossas necessidades fisiológicas. Não é possível deixar de atender quando a natureza nos chama. Então, devemos avaliar bem a área e selecionar um local que não causará desconforto aos outros. De qualquer maneira, mesmo nesses casos, as regras locais devem ser verificadas, pois existem situações onde não é permitido abandonar nada. Um dos exemplos clássicos é o caso do interior das cavernas. Nesse caso, é sempre bom carregar sacos plásticos confiáveis para o transporte dos dejetos.
4 - Manter a água limpa: quando estiver numa trilha e encontrar água, não importa quão afastado esteja, lembre-se sempre de que ela pode ser aproveitada por alguém que vive à jusante. Assim:
4.1- Não sujar as águas: se for um riacho de fundo lodoso tome cuidado para não turvar. Procure não agitar o fundo. Nunca faça as necessidades perto da água.
4.2- Como lavar os utensílios de cozinha: é muito cômodo ter um riachinho com água corrente para lavar os pratos e as panelas. No entanto, deve-se evitar jogar restos de comida ou detergente na água. É conveniente usar um recipiente limpo para coletar a água, afastar-se de 10 a 15 metros da margem, escolher um canto escondido ou um buraco para lavar os utensílios e enterrar os restos de comida. Os restos de comida na correnteza acabam se decompondo e estragando a água, além de ser horrível vê-los no fundo dos riachinhos.
4.3- Como tomar banho: se a intenção é apenas banhar-se, não tem problema. Mas se há intenção de utilizar sabonetes e xampus, deve-se seguir o mesmo procedimento adotado para lavar os pratos. O ideal é ensaboar-se fora da margem e afastar-se pelo menos 10m para se enxaguar e tirar os resíduos do corpo.
5- Fogueira: é sempre agradável reunir os amigos em torno de uma fogueira debaixo de uma redoma estrelada. Entretanto, mesmo os galhos secos e sem vida que servem de lenha fazem parte da natureza. Além disso, não é agradável encontrar marcas de fogueiras quando visitamos lugares belos e afastados. Obviamente, se estamos com pessoas menos experientes na atividade ou em situações nas quais o benefício social é grande, pode ser válido fazer uma fogueira. Mas quando estamos por conta própria, precisamos questionar se o benefício pessoal imediato justifica o ato. Ao acender uma fogueira, devemos tomar alguns cuidados:
5.1- Manter uma distância de pelo menos 5 metros em relação às árvores, pois numa fogueira prolongada que dure algumas horas pode-se facilmente cozinhar as raízes das árvores que estão mais próximas da superfície.
5.2- Procurar locais protegidos do vento para impedir que fagulhas se espalhem e causem incêndios.
5.3- Manter o kit bombeiro (água, areia, etc) sempre próximo.
5.4- Apagar bem a fogueira até a última brasa, assim como as marcas no chão para que as outras pessoas possam encontrar o local o mais limpo possível.
6- Prioridade nas cores: as cores dos produtos que levamos ou vestimos nada têm a ver diretamente com o meio ambiente. Têm, sim, a ver com a impressão que causam nas pessoas que também estão no local, bem como nos animais e aves que habitam a área. As cores vistosas podem ser úteis caso você fique perdido ou precise ser encontrado por um motivo qualquer. No entanto, as cores mais discretas são mais agradáveis para as outras pessoas. Nem sempre é legal vermos aquele pontilhado multicolorido ao longo da trilha.
7- Respeito às plantas: não colher mudas de plantas, folhas ou flores. Não quebrar árvores e nem galhos. Em muitos lugares montanhosos de características peculiares florescem espécies vegetais raras, autóctones e que não sobreviveriam em outros ambientes. É fundamental sempre tomar muito cuidado para não estragá-las, mesmo as mais abundantes. Quanto aos cipós, bambus e galhos que fecham as trilhas, esses devem ser cortados por pessoas autorizadas que conhecem as prioridades locais. Ninguém deve fazer a abertura de trilhas com critérios próprios.
8- Respeito aos animais e aves nativas: nos locais onde vivem e nidificam diferentes tipos de animais e aves, devemos tomar cuidado para não assustá-los. Nesse caso, dentro das possibilidades, devemos utilizar roupas e materiais em cores discretas. Devemos tomar cuidado para não falar muito alto e não nos aproximarmos demasiadamente de ninhos ou de filhotes. Em locais com espécies que aceitam alimentos, deve-se antes verificar se isso é um ato permitido. Mesmo nos locais onde é permitido, deve-se fazê-lo com moderação, pois a superalimentação localizada pode causar desequilíbrio ecológico na comunidade da espécie.
9- Não remoção dos elementos de um ambiente natural: não apenas as plantas, mas outros objetos também não devem ser removidos de seu ambiente natural. Uma das regiões que tem sofrido uma grande depredação são as áreas de cavernas calcárias, de onde os turistas retiram as pontas de estalactites e estalagmites. Existem localidades onde se observa também a retirada de conchas, fósseis, objetos arqueológicos, minerais e rochas.
10- Não pichar: pichação é um dos atos mais condenáveis no meio natural. Contudo, em locais como Pedra da Gávea (Rio de Janeiro), Pedra do Sino (Serra dos Órgãos), Pedra Grande (Atibaia) e tantos outros lugares a pichação domina a paisagem. É até difícil entender o que passa na cabeça de uma pessoa que faz esse tipo de coisa.
11- Não provocar barulho excessivo: além de causar mal-estar às pessoas que não estão a fim de algazarra, os ruídos assustam ainda mais os animais e as aves do que a simples presença humana. Procure não gritar e evite discussões e brincadeiras que tendem a ser barulhentas.
Foram listadas algumas regras básicas de comportamento de baixo impacto ambiental para excursionistas, que obviamente não param por aí.
é ter um mínimo de bom senso e um pouco de modéstia para realizar uma auto-avaliação de quando em quando e mostrar que de fato nos engajamos nesta questão. É possível, portanto, desfrutar a natureza respeitando não apenas o meio, mas as outras pessoas que também virão.
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