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Assunto: MountainBike
Título: Quadros
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Há alguns pontos que você deve considerar na hora de adquirir um quadro - especialmente na categoria cross-country, já que a oferta de produtos diferentes é muito grande. Os usuários que optam pelo freeride ou downhill normalmente conhecem melhor as características técnicas dos equipamentos e, além disso, a oferta de produtos dentro da categoria é mais restrita.

Comprimento: via de regra, quanto maior for a distância entre os eixos da bike, em menor amplitude ela trepidará e será, portanto, mais confortável e mais rápida nas retas. Isso se deve ao momento angular da oscilação dos extremos do quadro em relação ao centro (e não dos pneus, pois a suspensão absorve uma parte desse movimento). Por outro lado, quanto mais curta for a bike, melhor a manobrabilidade e, portanto, mais rápida ela será nas curvas. Se você colocar um modelo cross-country ao lado de um downhill, verá que o segundo é consideravelmente mais longo.

O que acontece de fato é que dentro da mesma categoria a diferença de comprimento entre modelos disponíveis não é muito grande, de forma que a maioria dos usuários nem sente a mudança no comportamento da bike. A avaliação desse parâmetro só faz sentido para pessoas que disputam segundos numa prova.

No nosso mundo real o ponto mais importante a considerar é a qualidade da suspensão. Uma MTB curta com boa suspensão será, mesmo nas retas, mais rápida do que uma MTB longa com suspensão menos eficiente, pois aquela consegue compensar melhor as irregularidades do terreno.

Hard tail X Full Suspension: praticamente toda trail bike é full suspension, mas no universo do cross-country existem ofertas de uma infinidade de modelos. Devemos também registrar aqui o mau costume do mercado de chamar quase tudo de Mountain bike, o que não é verdade.

No que diz respeito ao quadro, quanto mais rígido ele for, mais rápido responderá ao esforço de pedalada. A aceleração é o ponto forte do quadro rígido, e os ‘socadores’ de subida que gostam de andar forte - muitas vezes pedalando em pé - tendem a gostar da rigidez dos quadros. Já os modelos full suspension têm como ponto forte o conforto, a tração e a manobrabilidade. Nos terrenos técnicos é mais fácil manter a aderência com modelos equipados com suspensões de boa qualidade, enquanto os modelos Hard tail tendem a quicar mais. Os full suspension são mais rápidos nas descidas técnicas e fazem melhor as curvas.

Há um preconceito no mercado em relação aos modelos full: dizem que são pesados e perdem muita energia na subida. Essa afirmação é apenas parcialmente verdadeira, pois hoje existem muitos modelos full suspension no mundo com menos de 11 kg (até abaixo de 10 kg). As suspensões modernas possuem controle que neutraliza o balanço involuntário podendo até mesmo travá-lo.

Um novo conceito em termos de full suspension está chegando ao mercado: uma geometria variável no triângulo traseiro. Esses quadros, genericamente chamados de ponto de pivô virtual, tendem a afundar o conjunto traseiro nas subidas e projetá-lo nas descidas. Isso faz com que o ponto hipotético do pivô de articulação mude de posição (por isso o termo pivô virtual), mantendo uma configuração que otimiza a tração em diferentes terrenos (volantão na descida, volante no meio e volantinho nas subidas). Esse tipo de quadro - em conjunto com suspensão de comportamento variável - será a opção forte das top bikes da próxima geração (2004 em diante).

Geometria: a maioria das MTB full suspension possui uma geometria que pressupõe uma tração ótima quando se pedala com a corrente na coroa do meio. Os modelos de pivô simples tendem a dar menos problema de manutenção. Nesses modelos, o triângulo traseiro tende a torcionar mais em relação ao quadro principal. Os modelos de múltiplo pivô são mais neutros em relação à torção, mas possuem elementos móveis que podem apresentar problemas. A geometria do quadro e a suspensão são determinantes no comportamento da MTB. Isso significa que nem sempre o modelo topo de linha de um fabricante seja o tipo de bike de que você gosta – o que não quer dizer que o equipamento seja ruim, e sim que a escolha não foi acertada. As bikes que possuem o chainstay (distância entre o movimento central e o cubo traseiro) curtos aceleram melhor.
Triângulo traseiro de geometria variável para controlar o centro de gravidade e otimizar a tração em qualquer tipo de terreno.

Materiais: hoje se empregam basicamente três materiais diferentes na fabricação de quadros de Mountain bike: alumínio, escândio (na realidade é também uma liga de alumínio) e fibra de carbono (na verdade um compósito, mistura de carbono e kevlar). Existem ainda alguns modelos fabricados em ferro cromo-molibdênio e titânio, mas esses são restritos.

Alumínio: é o material clássico atualmente empregado na fabricação de quadros de MTBs. Existem diferentes ligas no mercado e as melhores são extremamente leves e fortes. É um material relativamente macio, mas os quadros que empregam tubos um pouco mais grossos calibrosos? (e finos como casca de ovo) podem ser surpreendentemente rígidos.

Escândio (Escândio 2): é a liga chique do momento. É mais leve e forte que o alumínio 7075 e com ela é possível produzir quadros estruturalmente mais rígidos. As pessoas que gostam muito de subidas sonham com um quadro Hard tail de escândio. Full suspensions também podem se beneficiar desse material, pois é possível desenvolver quadros mais neutros e que tenham as vantagens das suspensões.

Fibra de carbono: o carbono normalmente é utilizado para fabricar o triângulo principal (ou o que seria ele o equivalente) e não o quadro todo. É um material extremamente leve e forte, porém pode quebrar com pancadas fortes. A fibra de carbono é um material que absorve bem a vibração e possui um pouco de flexibilidade, o que o torna ideal para quadros mais macios e confortáveis.

Titânio: é chique, é leve, é forte, mas também é caro. Normalmente os quadros de titânio são mais rígidos que os de alumínio, e há pessoas que os acham duros demais. Os quadros de titânio podem se quebrar sem dar sinal prévio, diferentemente dos outros metais, que normalmente apresentam fissuramento ou rachadura. O titânio, quando quebra pode quebrar de uma só vez.

Ferro Cromo-Molibdênio: a história do ciclismo foi escrita em cromo-molibdênio. Em termos estruturais é um ótimo material, e um quadro bem dimensionado não fica nem tão pesado. Esse material também é macio, e efetuar uma solda de reparo nele é relativamente simples. No entanto, com o tempo pode enferrujar – inclusive pela ação da salinidade do seu suor.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082