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Assunto: MountainBike
Título: Componentes
Autor: Luiz Makoto Ishibe

Os grupos de peças de uma bicicleta, excetuando-se o quadro, o garfo, as rodas e o selim, são genericamente chamados de componentes. Essa denominação não é rígida, de forma que existem pessoas que consideram o cubo da roda como componente e também aquelas que não consideram peças em tubo, tais como canote, avanço e guidão, como componentes.

Independentemente da classificação que se use, existem dois grandes grupos que formam sistemas de componentes muito importantes para bicicleta: sistema de transmissão e sistema de freio.
Conjunto de cubo traseiro e roda livre

Sistema de transmissão para categoria cross-country full suspension

Sistema de transmissão para categoria downhill

Detalhe da presença de volante único no sistema de transmissão para downhill (pois não há necessidade de pedalar, a bike é usada somente para descida). Note o dispositivo para evitar escape involuntário da corrente por trepidação

Sistema de transmissão para categoria free ride: note a presença de três coroas no volante
Em outras palavras, são o conjunto de peças que fazem a bicicleta andar para frente e o conjunto de peças que ajudam a frear o movimento e a parar a bike. Devemos ainda considerar a caixinha de direção (conjunto de rolamentos e de fechamento de sistema) como um componente.

A importância dos dois sistemas dispensa apresentação. O sistema de transmissão é a razão pela qual vale a pena produzir bicicletas e os freios são a garantia da dirigibilidade e da segurança. A eficiência e a confiabilidade desses sistemas garantem que a bike ande e pare. Por outro lado, o quadro e as suspensões definem o comportamento, ou seja, “como” a bicicleta anda e pára.

Sistema de transmissão

A transmissão de uma bicicleta é composta por diferentes peças, que na linguagem ciclística são genericamente denominadas de partes.

As peças chaves são: movimento central, volantes (normalmente um jogo de 3 coroas para MTB), pedivela, pedal, passador de marcha (ou cambio) dianteiro, corrente, cassete (normalmente um conjunto de 9 estrelados), passador de marcha (ou cambio) traseiro, cubo traseiro, cabos e controles de passadores de marcha.

Como se vê, são várias as partes que compõem o sistema e é importante que haja compatibilidade entre as peças. A correta regulagem e a manutenção de rotina também são essenciais para o bom funcionamento do equipamento.

Todos os rolamentos devem ser revisados, limpos e engraxados periodicamente. O movimento central, o cubo das rodas e a caixinha de direção fazem parte dos elementos dessa categoria.

Se você for montar uma bicicleta ou trocar alguma peça, deve verificar a afinidade das partes. Também não é conveniente que você misture peças de categorias muito diferentes. Se você instalar uma peça de primeira e uma outra “quebra–galho”, o conjunto será limitado pelas peças mais fracas.

A exceção fica por conta do que se verifica com uma certa frequência, e que é a instalação de passador de marcha traseiro de uma série superior ao restante dos componentes. Isso se deve à importância dessa peça, que é muito submetida, dentro de todo o conjunto.

A corrente de transmissão deve ser monitorada e trocada sempre que apresentar desgaste. A bicicleta até consegue rodar com a corrente desgastada além do limite, mas quando você faz isso acaba gastando também os volantes e o cassete, que são peças bem mais caras.

Sistema de Freio

Existem hoje dois grandes grupos, o V-Brake e o freio a disco, sendo que os de disco dividem-se em mecânicos e hidráulicos.

V-Brake: as partes que compõem o sistema de freio são: manetes ou acionadores, cabos, corpo do V-Brake propriamente dito e pastilhas. Devemos lembrar que esse sistema aciona as pastilhas sobre as paredes laterais do aro da roda, o que causa o seu desgaste.

É importante monitorar o desgaste da pastilha para evitar que o metal da base do suporte esfregue-se contra a parede do aro. Se isso acontecer o desgaste do aro pode ser potencializado. Uma outra situação ruim para esse sistema é o barro ou a areia molhada.

Partículas de argila e areia na roda comem o aro como se fosse esmeril. A pastilha também pode se desgastar muito rapidamente em condições abrasivas. A vantagem desse sistema está na leveza, no fácil ajuste e troca de pastilhas.

Freio a disco: manetes ou acionadores, tubos hidráulicos (ou cabos para os modelos mais simples), caliper (conjunto que controla o movimento dos burrinhos e pastilha) e disco propriamente dito. Freios a disco de boa qualidade tendem a ter ação mais progressiva do que o V-Brake.

Outra vantagem desse sistema é que o comportamento não é afetado pela água ou lama. Por outro lado o seu ajuste é mais complexo, e se o sistema hidráulico apresentar vazamento dificilmente poderá ser consertado sem os recursos de uma oficina.

O monitoramento do desgaste das pastilhas é muito importante e deve-se tomar cuidado para não bater ou forçar o disco (principalmente durante o transporte), pois a sua folga em relação à pastilhas é muito pequena e qualquer empenamento causaria problemas.

Quando se fala em componentes de MTB, há um fabricante que é uma referência mundial: Shimano. A Shimano produz diferentes séries de produtos, de acordo com o nível de exigência do usuário e o custo que ele quer pagar. Para a prática de Mountain bike propriamente dita, ou seja, não apenas para andar de bicicleta na estrada de terra, mas para fazer pelo menos um pouco de trilha, existem 4 categorias: Deore, LX, XT e XTR.
Freio traseiro V-Brake

Freio dianteiro a disco

Freio traseiro a disco

Manete hidráulico de freio a disco em conjunto com passador de marcha

Deore: é uma série de componentes de relação custo/benefício bastante boa. É bastante robusta e confiável, sendo recomendável para uso recreativo ou esportivo para pessoas de nível intermediário.

LX: mais leve que a Deore, é uma boa opção para uso esportivo para pessoas um pouco mais exigentes. Seria um luxo equipar uma bike de uso recreativo com esse grupo.

XT: é uma série muito boa que aguenta rigores da atividade, inclusive de competição. Existem competidores utilizando peças dessa série em qualquer lugar do mundo. Se a sua bike está equipada com XT, você está bem.

XTR: é a vitrine tecnológica da Shimano. Os componentes dessa série equipam bikes de muitos competidores profissionais no cenário internacional. São muito confiáveis e duráveis, o que os torna a escolha preferida dos praticantes aficcionados.

Apesar da Shimano ser uma referencia mundial, isso não significa que outros fabricantes não produzam componentes de qualidade. Os freios da AVID são muito bons e, dependendo do modelo, mais leves do que o XTR. O passador de marcha com sistema Grip Shift da SRAM também é bom e o topo de linha também é mais leve do que o XTR – apesar de muitos acharem o sistema um pouco frágil. No fim das contas você consegue montar uma bicicleta que perfilaria como uma das melhores do mundo sem utilizar uma peça XTR sequer. Marcas como Ritchey, Race Face, Avid, Racing Concept, Magura, SRAM, Tune, DT, Cris King, FSA entre outras produzem componentes que nada deixam a desejar.

Al. dos Nhambiquaras, 946 - Moema - São Paulo - Tel.: (11) 5052-8082